Os responsáveis pelo hack da Coldcard começaram a movimentar parte dos fundos roubados. Cerca de 64 Bitcoins e 200 Ethers ligados ao ataque foram transferidos para protocolos de mistura de criptomoedas, conhecidos como mixers.
Segundo dados da empresa de segurança blockchain CertiK, a movimentação de Bitcoin, avaliada em US$ 4,17 milhões, ocorreu na terça-feira. Os fundos saíram de um endereço de ataque direto para o protocolo Wasabi. Já os 200 ETH, equivalentes a US$ 380 mil, foram enviados para o Tornado Cash na quarta-feira.
Um porta-voz da CertiK declarou que essa movimentação específica pode não pertencer ao grupo principal de invasores. “Acreditamos que possa ser um explorador menor. Provavelmente há alguns imitadores após a exploração inicial”, afirmou o representante em nota ao Cointelegraph.
Mixers como o Tornado Cash operam agrupando e embaralhando criptomoedas de múltiplos usuários para quebrar o vínculo rastreável na blockchain. Essa prática oculta o caminho do dinheiro e diminui as chances de recuperação por parte das autoridades e vítimas.
O evento é considerado o terceiro maior roubo de criptomoedas de 2026 até o momento. Dados da Galaxy Digital indicam que a falha drenou pelo menos US$ 100 milhões em Bitcoin de 7.300 carteiras. Há indícios de uma quarta onda de ataques que pode elevar as perdas totais a US$ 130 milhões.
Rastreamento e vulnerabilidades no hack da Coldcard
Apesar das transferências identificadas nesta semana, a maior parte do capital perdido no hack da Coldcard ainda não foi lavada. Um relatório da TRM Labs mostrou que a maioria dos fundos das vítimas segue parada em um número reduzido de endereços controlados pelos criminosos.
As análises na rede também corroboram a teoria de que vários invasores atuaram de forma independente. As diferenças estruturais nas transações sugerem o envolvimento de pelo menos 15 atacantes explorando a mesma brecha no sistema.
A TRM Labs explicou que um erro de firmware, presente desde março de 2021, enfraqueceu a aleatoriedade das chaves de segurança de algumas carteiras. A proteção caiu de 128 bits para apenas 40 bits, permitindo que as senhas fossem descobertas por força bruta, sem necessidade de acesso físico aos aparelhos.
Especialistas da indústria observaram que a falha era de fácil detecção para ferramentas modernas. Haseeb Qureshi, da Dragonfly, destacou que um baixo investimento em testes com inteligência artificial poderia ter evitado o problema, uma vez que modelos de IA conseguiram redescobrir a vulnerabilidade em menos de 20 minutos.





