O rastro de US$ 112 milhões que transformou o Coldcard na lição mais cara do ano

O rastro de US$ 112 milhões que transformou o Coldcard na lição mais cara do ano

O roubo de Bitcoin da Coldcard começou a registrar um ritmo menor de ataques, mas o montante total subtraído pelos invasores continua em ascensão. Segundo dados da empresa de análises Galaxy Research, os cibercriminosos já drenaram mais de 1.778 BTC, o que equivale a cerca de US$ 112 milhões.

A desaceleração das invasões não significa que o método parou de funcionar. A Galaxy Research aponta que os alvos mais fáceis já foram explorados ou que os detentores vulneráveis migraram seus ativos para locais seguros, visto que nenhuma atividade on-chain foi detectada após o dia 6 de agosto.

Os especialistas da empresa rastreiam esse roubo de Bitcoin na Coldcard desde a madrugada de 30 de julho de 2026. Os agressores recriam as sementes (seeds) de recuperação geradas pelos dispositivos e transferem os fundos na blockchain de forma sistemática.

A origem da vulnerabilidade está em uma atualização de firmware realizada em 2021. O novo software transferiu a geração de sementes de um chip físico de números aleatórios para um sistema virtual. Isso derrubou a força criptográfica das chaves de 128 bits para apenas 40 bits em alguns casos.

Com essa fragilidade exposta, os cibercriminosos conseguem reconstruir as sementes usando apenas o número de série da carteira e o estado do relógio interno. A extração dos ativos ocorre sem a necessidade de ataques de phishing, instalação de malwares ou acesso físico ao aparelho do investidor.

Detalhes on-chain e o impacto do roubo de Bitcoin na Coldcard

A maior onda confirmada de ataques levou 1.082,65 BTC de 1.195 endereços logo nos primeiros minutos da exploração. Ao todo, a Galaxy Research mapeou mais de 5.200 carteiras esvaziadas ao longo de três grandes frentes de ataque e 41 rastros menores.

A maior parte dos fundos subtraídos permanece sob controle dos invasores em endereços não gastos. Do pequeno montante que a análise conseguiu rastrear até um destino final, a maioria passou por processos de privacidade (coinjoin), com pequenas frações chegando a corretoras como KuCoin e à Jump Crypto.

A orientação direta da empresa de análise para os investidores é clara: quem ainda possui fundos em uma carteira de assinatura única da Coldcard deve transferir os ativos para novos endereços imediatamente. O episódio levantou alertas na indústria, com fabricantes como a Ledger alertando sobre a necessidade de adaptação da segurança contra descobertas feitas por inteligência artificial.

O impacto sistêmico do roubo de Bitcoin na Coldcard já resultou na movimentação preventiva de aproximadamente US$ 15 bilhões em BTC para custódias alternativas. A Galaxy ainda investiga uma possível quarta onda de ataques que, se confirmada, elevaria as perdas totais para 2.417 BTC, ultrapassando a marca de US$ 150 milhões nos preços atuais.