Entre saídas de ETFs e novas alocações, o JPMorgan aprofunda os laços com o mercado cripto

Entre saídas de ETFs e novas alocações, o JPMorgan aprofunda os laços com o mercado cripto

O mercado cripto vive um momento de oscilações, mas as grandes instituições de Wall Street seguem um caminho diferente. Durante o segundo trimestre de 2026, o JPMorgan investe em Bitcoin de forma mais robusta e amplia sua alocação em Ethereum, além de voltar a operar veículos ligados ao XRP.

Documentos regulatórios (13F-HR) enviados à SEC em 12 de agosto de 2026 mostram o escopo dessa estratégia. O banco declarou possuir 10,4 milhões de cotas do iShares Bitcoin Trust (IBIT), gerido pela BlackRock. O volume atualizado representa cerca de US$ 355,7 milhões.

Trata-se de um salto quantitativo expressivo em relação ao primeiro trimestre do ano. Naquela ocasião, a instituição financeira detinha 8,3 milhões de cotas, que eram avaliadas em aproximadamente US$ 162 milhões.

O interesse institucional não se limitou à principal moeda digital. A posição do banco no ETF de Ethereum da BlackRock (ETHA) cresceu 338% no mesmo período. A alocação alcançou 1,17 milhão de cotas, refletindo um valor de mercado de US$ 14,3 milhões.

Como o JPMorgan investe em Bitcoin frente às saídas dos ETFs

Enquanto o JPMorgan investe em Bitcoin focando no médio e longo prazo, o comportamento de curto prazo de outros participantes destoa dessa visão. Em 13 de agosto, os ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos registraram saídas líquidas coletivas de US$ 61,16 milhões em um único dia.

Essa diferença de comportamento evidencia a dualidade atual do setor cripto. Os fluxos diários dos ETFs refletem fundos de hedge e investidores de varejo ajustando posições rapidamente. Já os grandes bancos utilizam a volatilidade para construir posições sólidas ao longo dos trimestres.

Outro ponto de destaque no documento é o retorno calculado ao ecossistema da Ripple. Após liquidar totalmente sua posição no primeiro trimestre, o banco voltou a distribuir capital de forma moderada em três produtos diferentes vinculados ao XRP.

A maior fatia dessa retomada é uma alocação de US$ 207.295 na Armada Acquisition Corp II (XRPN), além de participações menores no Bitwise XRP ETF e no Grayscale XRP Trust. No total, a exposição soma pouco mais de US$ 212.000.

Apesar de o montante em criptoativos ser uma fração modesta frente ao portfólio total de US$ 1,8 trilhão do banco, a abertura simultânea de três linhas atreladas ao XRP indica que os comitês de investimento voltaram a incluir o ativo em suas diretrizes de diversificação.

O fato de que o JPMorgan investe em Bitcoin de maneira crescente coincide com uma postura mais otimista em seu portfólio de opções. O banco reduziu as opções de venda (puts) e aumentou os contratos de compra (calls) vinculados ao fundo IBIT.

Notas recentes de estrategistas da própria instituição justificam essa dinâmica de mercado, apontando que “investidores institucionais tratam cada vez mais o bitcoin como um concorrente direto do ouro em suas alocações estratégicas”.