As perdas financeiras ligadas ao hack da Coldcard continuam aumentando. Em um intervalo de apenas 24 horas, o valor subtraído das carteiras de Bitcoin saltou de US$ 70 milhões para quase US$ 114 milhões.
Esse aumento expressivo marca a quarta onda de ataques contra os dispositivos da fabricante Coinkite. O pesquisador Alex Thorn, da Galaxy Research, identificou o novo padrão de drenagem de fundos na blockchain nesta segunda-feira.
Durante a análise, Thorn observou transações atípicas ocorrendo em 15 blocos consecutivos, com uma frequência 45 vezes maior que o normal. Após ajustar os dados para excluir endereços de múltiplas assinaturas, a contagem revelou que 709 endereços foram esvaziados.
Nesta fase mais recente do hack da Coldcard, os invasores levaram 448,73 BTC, o equivalente a cerca de US$ 28 milhões. Somando essa quantia aos três ataques anteriores, o total roubado ultrapassa 1.816 BTC.
Por que o hack da Coldcard continua fazendo vítimas?
Thorn ressalta que nenhuma vítima confirmou oficialmente essa quarta onda até o momento. Os números atuais são baseados exclusivamente no rastreamento de dados da rede (on-chain).
Um detalhe técnico relevante é que, no momento da análise, parte dessas transações de Bitcoin ainda aguardava confirmação na mempool com a opção RBF (Replace-By-Fee) ativada. Isso cria uma janela de oportunidade para os proprietários tentarem recuperar o controle pagando taxas maiores aos mineradores.
A progressão contínua deste ataque ocorre devido à natureza específica da vulnerabilidade. A Coinkite corrigiu a falha em 48 horas, mas a atualização de software não protege as chaves privadas criadas antes do patch.
A correção do firmware impede a criação de novas seeds vulneráveis, mas qualquer carteira gerada com o software antigo — que remonta a março de 2021 — permanece exposta na rede.
Para proteger os fundos, os usuários precisam transferir seus Bitcoins para uma seed totalmente nova. Como muitos investidores ainda não sabem que foram afetados, o invasor continua explorando o erro de forma gradual e direcionada.
Enquanto a migração de chaves não for amplamente adotada, o impacto do hack da Coldcard deve continuar crescendo. Os invasores seguem pesquisando a blockchain e drenando os endereços vulneráveis lote por lote.




