O preço do Bitcoin registrou uma queda aproximada de 4%, tocando a mínima diária de US$ 81.652 na corretora Bybit. O movimento anulou os ganhos obtidos nos dois dias anteriores, ocorrendo logo após a cotação encontrar forte resistência na região de US$ 85.000.

Dados em cadeia e análises técnicas apontam o patamar de US$ 80.000 como o próximo grande teste. A perda de força na alta e a ausência de novos compradores no momento tornam essa marca um divisor de águas para o ativo.

As reservas corporativas de Bitcoin das empresas estão com custo médio de aquisição em torno de US$ 80.000, segundo informações da Glassnode. Embora a moeda venha sendo negociada acima desse valor desde 18 de setembro, o ritmo de compras por essas companhias desacelerou fortemente, somando apenas alguns milhares de BTC por mês.

A Glassnode destaca que compras em momentos de lucro geram um ciclo favorável: a valorização aumenta o preço das ações das empresas, permitindo captar mais fundos para novas aquisições. No entanto, esse ciclo está pausado. Ao mesmo tempo, o saldo de stablecoins nas corretoras caiu ao menor nível em um ano, reduzindo o poder de compra imediato.

Uma queda abaixo de US$ 80.000 deixaria os tesouros empresariais com saldo negativo. Em meados de 2022, um período similar abaixo do preço de custo resultou em uma das poucas vendas líquidas expressivas já registradas no gráfico da Glassnode.

Já para os compradores recentes, o cenário traz um colchão de proteção mais profundo. O preço realizado dos investidores de curto prazo estava em US$ 74.850 no dia 21 de outubro. Com a cotação perto de US$ 82.000, esse grupo retém cerca de 9% de lucro.

Essa linha serviu como teto ao longo de quase todo o ano de 2026. A moeda sofreu rejeição ali em maio e desceu abaixo de US$ 60.000 no início de julho, reconquistando o nível no fim de agosto. Permanecer acima dessa marca mantém a estrutura de recuperação preservada.

Níveis cruciais para o preço do Bitcoin no curto prazo

De acordo com o analista Ted Pillows, a vela semanal ficou vermelha após o fracasso em sustentar os US$ 84.500. Contudo, ele pondera que os compradores seguem na disputa, já que o gráfico permanece acima das médias móveis de 50 dias.

No gráfico diário, o ativo testa a média móvel de 50 dias em US$ 81.835, além de ter recuado ligeiramente abaixo da retração de 0,618 de Fibonacci, posicionada em US$ 82.614.

No tempo gráfico de 4 horas, após falhar na tentativa de rompimento acima de US$ 84.000, surgiram cinco velas vermelhas consecutivas. Essa baixa trouxe a cotação de volta a uma linha de tendência de alta iniciada no fundo de 15 de outubro, que se cruza com o suporte de US$ 81.500.

A dinâmica momentum indica enfraquecimento. O RSI de 4 horas opera próximo de 45 e rompeu uma linha ascendente mantida desde 8 de outubro. Por outro lado, o volume negociado na queda é menor do que no rali recente, sinalizando falta de ofertas de compra e não vendas agressivas.

Se a região de US$ 81.500 for perdida, a faixa de custo das empresas em US$ 80.000 será acionada. Abaixo disso, o nível de 0,5 de Fibonacci fica em US$ 77.876, enquanto o intervalo entre US$ 73.000 e US$ 75.000 reúne o nível de 0,382 de Fibonacci e o custo médio dos investidores de curto prazo.

Do lado comprador, retomar os US$ 84.000 reabre o caminho em direção à resistência de US$ 85.000 a US$ 87.000.

Compartilhe esta notícia
Luíza Nunes
Escrito por

Luíza Nunes