Pesquisadores propõem solução para evitar ameaça quântica ao Bitcoin

Pesquisadores propõem solução para evitar ameaça quântica ao Bitcoin

Pesquisadores da Blockstream apresentaram uma nova proposta para proteger a maior criptomoeda do mercado contra o avanço dos supercomputadores. O projeto, chamado SHRINCS, busca neutralizar a ameaça quântica ao Bitcoin sem reduzir drasticamente a capacidade de processamento da rede.

Atualmente, o Bitcoin utiliza assinaturas digitais baseadas em curvas elípticas para provar a propriedade dos ativos. Essa tecnologia permite que os usuários movimentem seus fundos sem revelar a chave privada responsável pelo controle de suas carteiras.

O problema é que computadores quânticos futuros, rodando o algoritmo de Shor, poderiam quebrar essa proteção matemática. Com poder de cálculo extremo, essas máquinas conseguiriam descobrir as chaves privadas a partir das chaves públicas expostas na blockchain, permitindo a falsificação de assinaturas e o roubo de moedas.

Um volume significativo de criptomoedas já está vulnerável a esse cenário futuro. Isso inclui os mais de 1,1 milhão de bitcoins pertencentes a Satoshi Nakamoto, o criador pseudônimo da rede, cujas chaves públicas antigas já são conhecidas pelo mercado.

O desafio do espaço e a ameaça quântica ao Bitcoin

Substituir a tecnologia atual por alternativas pós-quânticas cria um problema técnico grave: o tamanho dos dados. As assinaturas padronizadas pelo governo dos Estados Unidos (NIST) são dezenas de vezes maiores do que as usadas hoje, o que deixaria menos espaço para transações nos blocos da rede.

A Blockstream estima que o uso do padrão atual do NIST reduziria a capacidade do Bitcoin de 6,5 transações por segundo para apenas 0,36. O espaço limitado dos blocos ficaria rapidamente saturado.

É aqui que a proposta SHRINCS atua para mitigar a ameaça quântica ao Bitcoin. A solução consegue manter a rede processando cerca de três transações por segundo. Suas assinaturas começam com 324 bytes, um aumento gerenciável graças aos descontos de espaço introduzidos pela atualização SegWit em 2017.

Além disso, o SHRINCS é construído com base no SHA-256, a mesma função criptográfica que já sustenta o sistema de mineração do Bitcoin. Isso significa que a segurança do projeto não depende de conceitos matemáticos totalmente novos e não testados.

Jonas Nick, que desenvolveu a proposta com o pesquisador Mikhail Kudinov, afirma que esta é a primeira alternativa concreta desenhada especificamente para o Bitcoin. No entanto, ele ressalta que o projeto não é definitivo e ainda está em fase inicial, sem auditorias formais de segurança concluídas.

A implementação dessa nova tecnologia exigiria um “soft fork”, uma atualização compatível com versões anteriores, dependendo de amplo consenso da rede. O sistema também exigirá que as carteiras gerenciem chaves de uso único com rigor, tornando o processo de backup mais complexo para os usuários.