O Bitcoin voltou a registrar desvalorização nesta terça-feira (20), cotado na faixa de US$ 81.400 após uma perda de 1,6% nas últimas 24 horas. O movimento de baixa acompanha a retração das ações de inteligência artificial e reflete a busca dos investidores por proteção no mercado financeiro.

O movimento de recuo também atingiu outros ativos digitais: o Ethereum caiu 2,1% para US$ 2.382, o XRP recuou 1,6% e a Solana perdeu 1,7%. Em contrapartida, a BNB apresentou uma leve alta de 0,2%.

A retração ocorreu mesmo com um forte resultado nos fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Na segunda-feira, esses produtos registraram uma entrada líquida de US$ 526,6 milhões, marcando o maior volume de captação diária em quase um mês.

O principal fator de pressão para o Bitcoin foi o desempenho negativo das empresas de tecnologia ligadas à infraestrutura de IA e semicondutores. Na Coreia do Sul, o índice Kospi caiu 3,73%, impulsionado por quedas superiores a 5% nas ações da SK Hynix e de cerca de 4% na Samsung Electronics.

Queda nas ações de tecnologia e volatilidade do mercado impactam o Bitcoin

As dúvidas dos investidores se concentram na capacidade de retorno sobre os pesados investimentos em centros de dados e chips feitos por gigantes como Microsoft, Meta, Google e Amazon. O impacto se estendeu aos Estados Unidos, onde a CoreWeave recuou cerca de 4% no pré-mercado e os futuros do Nasdaq 100 caíram 0,3%.

Outro elemento de incerteza vem do setor energético, com o petróleo Brent negociado perto de US$ 110 após ataques dos rebeldes houthis à infraestrutura da Arábia Saudita. Esse encarecimento da energia eleva os riscos inflacionários globais e pode dificultar a redução das taxas de juros americanas.

No mercado de derivativos, a busca por proteção ficou evidente. Na plataforma Deribit, o volume de opções de venda (puts) do Bitcoin superou o dobro das opções de compra (calls), com destaque para os contratos de venda no patamar de US$ 80 mil com vencimento em 30 de outubro.

Nas últimas 24 horas, as liquidações forçadas de posições alavancadas em criptomoedas totalizaram US$ 155,1 milhões, sendo 69% referentes a apostas na alta. A atenção do mercado se volta agora para a sustentabilidade do suporte de US$ 80 mil e para os balanços trimestrais de cerca de 70 empresas do S&P 500 nesta semana.

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Luíza Nunes
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