A Suíça se prepara para estrear seu primeiro ETF de Bitcoin à vista, um fundo que permitirá investir na criptomoeda sem precisar comprá-la ou armazená-la diretamente. A negociação está prevista para novembro na SIX Swiss Exchange, mas a data exata ainda não foi definida.

O produto, chamado Bitcoin Fund ETF (BBIT), também poderá ser acessado por bancos e corretoras estrangeiras que operam na bolsa suíça. Isso não significa, porém, que investidores de qualquer país terão autorização automática para comprá-lo.

A SIX Swiss Exchange confirmou ao CoinDesk que aproximadamente 90 bancos e corretoras, da Suíça e do exterior, participam da plataforma. Segundo Danielle Reischuk, gerente sênior de vendas de ETFs e produtos negociados em bolsa da SIX, instituições estrangeiras poderão negociar o fundo diretamente, caso sejam participantes autorizadas, ou por meio de outras instituições já habilitadas.

A possibilidade de oferecer o produto aos próprios clientes dependerá das regras de cada país. Por enquanto, a aprovação do BBIT para venda pública vale apenas na Suíça.

O ETF de Bitcoin terá acesso internacional, mas há restrições

A Comissão Suíça de Supervisão do Mercado Financeiro (FINMA) aprovou o fundo em 20 de outubro, concedendo uma exceção às regras que normalmente exigem que fundos de investimento distribuam seus recursos entre diferentes ativos. Com a autorização, o BBIT poderá investir integralmente em Bitcoin.

Segundo a FINMA, o histórico mais longo de negociação do Bitcoin e seus elevados volumes de mercado ajudaram a justificar a decisão. A autorização, entretanto, não representa uma aprovação automática de fundos semelhantes baseados em outras criptomoedas, como ether (ETH) e solana (SOL).

A gestora BIT Asset Management informou que o fundo manterá seus Bitcoins separados dos ativos da própria empresa responsável por administrá-lo. Essa estrutura distingue o BBIT de muitos produtos de investimento em criptomoedas já negociados na Europa, que costumam assumir a forma de títulos de dívida emitidos por empresas financeiras.

Nesses produtos, o investidor tem um crédito contra a companhia emissora, mesmo quando o instrumento é lastreado em Bitcoin. No BBIT, por outro lado, as reservas da criptomoeda pertencem à estrutura do fundo e ficam segregadas dos ativos da gestora, oferecendo uma proteção jurídica diferente caso a empresa enfrente dificuldades financeiras.

Embora a Suíça negocie produtos de investimento ligados ao Bitcoin há anos, o BBIT é o primeiro ETF do país aprovado para investir diretamente na criptomoeda e ser oferecido a investidores de varejo.

A FINMA também esclareceu que clientes que comprarem o fundo por meio de um banco ou corretora sem receber aconselhamento de investimento não precisarão passar por uma avaliação individual de adequação financeira, embora devam ser informados sobre os riscos.

Já instituições que prestam aconselhamento ou administram carteiras precisam verificar se o produto é compatível com a situação financeira, os objetivos e a experiência dos clientes.

A aprovação do ETF de Bitcoin ocorre enquanto outras empresas também buscam autorização para lançar fundos de criptomoedas na Suíça. A FINMA confirmou a existência de outros pedidos, mas não informou quantos estão em análise.

O cenário europeu segue diferente: de acordo com o Conselho Europeu de Risco Sistêmico, as regras da União Europeia não permitem que fundos convencionais de investimento destinados ao varejo invistam diretamente em Bitcoin.

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Luíza Nunes
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