
Uma reviravolta irônica marcou o recente ataque cibernético sofrido pela fabricante de carteiras de hardware Ledger. Um golpista profissional acabou perdendo 60 Bitcoins, avaliados em cerca de US$ 4,8 milhões, após armazenar fundos ilícitos em dispositivos adulterados.
De acordo com a empresa de monitoramento blockchain Chainalysis, o criminoso adquiriu três unidades comprometidas contendo spyware capaz de registrar seed phrases. Todos os fundos foram drenados para uma única carteira controlada pelos invasores.
O caso ganha contornos ainda mais peculiares porque o próprio indivíduo operava um esquema fraudulento de tarefas falsas. Nele, as vítimas eram induzidas a adicionar recursos próprios para resgatar saldos negativos fictícios, configurando um clássico golpe dentro de outro golpe.
Diante da brecha na cadeia de suprimentos que permitiu roubar mais de US$ 103 milhões de centenas de endereços, a Ledger suspendeu imediatamente sua rede de revendedores no Sudeste Asiático, atingindo mercados como Vietnã, Indonésia e Singapura.
Impacto regional e o lançamento da nova carteira Ledger Atom
Embora relatos isolados de adulteração tenham aparecido na Europa — forçando a varejista MediaMarkt a paralisar vendas, a fabricante insiste que os desvios confirmados restringem-se ao continente asiático. Como medida preventiva, concorrentes como a Trezor também cortaram laços com revendedores distantes.
Em meio a essa turbulência de segurança envolvendo a Ledger, a companhia lançou seu novo aparelho chamado Atom. O dispositivo de US$ 849 combina criptoativos com aplicativos Android isolados e promete bloquear os implantes maliciosos identificados nos furtos recentes.








