Aave, Uniswap, Curve e MakerDAO estão entre os nomes que mais aparecem quando o assunto são protocolos DeFi. Embora atuem em áreas diferentes, todos fazem parte de uma mesma mudança: a criação de serviços financeiros que funcionam diretamente em redes blockchain, sem depender da estrutura tradicional dos bancos.
É justamente essa variedade que pode tornar o DeFi, abreviação de finanças descentralizadas, difícil de entender no começo. Alguns protocolos DeFi permitem emprestar e tomar criptomoedas, outros facilitam a negociação de tokens ou oferecem liquidez para esses mercados.
Por isso, não basta saber quais são os maiores projetos. Para entender como o setor funciona, é preciso conhecer o papel de cada protocolo e o problema que ele tenta resolver.
Por que os protocolos DeFi são tão diferentes entre si
Um protocolo DeFi é um conjunto de regras executadas por contratos inteligentes, mas isso não significa que todos tenham a mesma função. Alguns foram criados para conectar quem quer emprestar dinheiro a quem precisa tomar recursos. Outros organizam mercados para troca de tokens ou permitem que usuários forneçam a liquidez necessária para essas negociações.
Essa variedade existe porque o sistema financeiro tradicional também é formado por diferentes funções: bancos oferecem crédito, bolsas organizam mercados, instituições administram liquidez e outros mecanismos sustentam pagamentos e garantias.
No DeFi, essas funções podem ser reproduzidas por protocolos separados e combinadas entre si.
É exatamente essa característica que fez o ecossistema crescer de forma modular. Um usuário pode, por exemplo, trocar um token em uma corretora descentralziada, como a Hyperliquid, e depois utilizar outro protocolo para obter um empréstimo usando esse ativo como garantia.
Aave e Compound colocaram o empréstimo no centro do DeFi
Entre os exemplos mais conhecidos de protocolos DeFi estão Aave e Compound, dois protocolos voltados para empréstimos e oferta de liquidez.
A lógica básica é simples. Um usuário deposita criptoativos em um mercado de liquidez, esses ativos podem ser utilizados por outras pessoas que desejam tomar empréstimos, normalmente mediante a apresentação de garantias.
O protocolo automatiza as regras da operação por meio de contratos inteligentes, incluindo condições relacionadas a depósitos, empréstimos, garantias, juros e liquidações.
Aave se tornou uma das principais referências dessa categoria e hoje descreve sua infraestrutura como um conjunto de contratos inteligentes que permite fornecer e tomar ativos emprestados de forma descentralizada.
O Compound segue uma lógica semelhante, mas com seu próprio desenho de mercados, parâmetros e mecanismos.
A existência de dois protocolos relevantes para uma função expõe uma característica importante do DeFi: não existe necessariamente uma única maneira de reproduzir um serviço financeiro. Protocolos diferentes podem disputar o mesmo espaço usando modelos distintos.
Uniswap mudou a forma de pensar uma corretora
Se Aave e Compound representam a parte de crédito, Uniswap é um dos grandes nomes da negociação descentralizada.
Uma corretora centralizada depende de uma empresa para custodiar os ativos e organizar as ordens de compra e venda. Uma DEX, ou corretora descentralizada, utiliza contratos inteligentes para permitir que usuários negociem diretamente a partir de suas carteiras.
O modelo da Uniswap ficou conhecido pelo uso de pools de liquidez.
Em vez de depender apenas de um comprador e um vendedor esperando para negociar, os ativos são depositados em pools. Esses recursos formam a liquidez disponível para as operações, enquanto o protocolo utiliza regras matemáticas para determinar como os preços se ajustam.
Isso criou uma mudança no funcionamento de mercados de tokens: a própria infraestrutura da blockchain passou a participar da formação dessas negociações.
Curve mostra que nem toda DEX precisa funcionar da mesma maneira
Curve também é uma corretora descentralizada, mas sua proposta se tornou especialmente associada a ativos que possuem preços próximos, como diferentes stablecoins.
Quando dois ativos deveriam permanecer em torno do mesmo valor, faz sentido construir um mecanismo de negociação adaptado a essa característica. Em vez de tratar todos os pares de tokens da mesma forma, o protocolo pode concentrar a liquidez onde ela é mais relevante.
Essa especialização ajuda a explicar por que o ecossistema DeFi não acabou concentrado em uma única grande plataforma. Diferentes protocolos podem encontrar espaço ao otimizar partes específicas do mercado.
A Curve, por exemplo, mantém uma arquitetura própria para pools, trocas e provisão de liquidez.
MakerDAO ficou conhecido por transformar garantias em uma stablecoin
MakerDAO ocupa uma posição diferente nessa lista porque seu papel está fortemente ligado à criação e à manutenção do DAI, uma stablecoin desenvolvida para acompanhar o valor do dólar.
A lógica envolve usuários bloqueando determinados ativos como garantia para gerar DAI. O sistema utiliza regras programadas em contratos inteligentes para administrar essas posições e liquidar garantias quando determinadas condições são atingidas.
O caso é relevante porque mostra que um protocolo DeFi pode ir além da simples troca ou do empréstimo. Ele pode funcionar como uma infraestrutura financeira inteira, reunindo emissão de ativos, garantias e mecanismos voltados à estabilidade de um sistema.
Esclarece ainda por que muitos protocolos DeFi acabam interligados. Um ativo emitido em um protocolo pode ser utilizado como garantia ou liquidez em outro.
O que o TVL revela, e o que ele não revela
Ao comparar protocolos DeFi, uma das métricas mais conhecidas é o TVL (Total Value Locked), ou valor total bloqueado.
A ideia é medir quanto valor está depositado ou alocado nos contratos de determinado protocolo. É uma maneira útil de visualizar a dimensão de uma aplicação e sua relevância dentro do ecossistema.
Mas há uma armadilha em transformar TVL em um ranking definitivo de qualidade.
Uma plataforma pode apresentar grande volume de ativos e, ainda assim, estar exposta a riscos relacionados aos contratos inteligentes, aos mecanismos de liquidação, aos ativos utilizados como garantia ou à própria estrutura de governança.
O TVL responde principalmente à pergunta “quanto valor está alocado aqui?”. Ele não responde sozinho “quão seguro é este protocolo?” ou “qual é o melhor?”.
Os principais protocolos DeFi formam uma espécie de infraestrutura financeira
Afinal, quais são os principais protocolos DeFi? A resposta depende da função que está sendo analisada.
Aave e Compound ajudaram a desenvolver o mercado de empréstimos e crédito descentralizado. Uniswap se tornou uma referência nas corretora descentralizadas e nos pools de liquidez. Curve construiu uma infraestrutura especializada para determinados tipos de ativos. MakerDAO mostrou como contratos inteligentes poderiam sustentar um sistema de crédito associado a uma stablecoin.
Vistos em conjunto, esses protocolos esclarecem o que torna o DeFi diferente de uma coleção de aplicativos isolados.
Eles funcionam como peças que podem se conectar. Um usuário pode utilizar uma DEX para trocar tokens, usar o resultado dessa operação em um protocolo de empréstimo e movimentar um ativo que, por sua vez, foi criado ou estruturado dentro de outro sistema.
Essa composição é uma das características mais importantes do DeFi — e também uma de suas maiores fontes de complexidade.
Quanto mais protocolos dependem uns dos outros, maior pode ser a eficiência do ecossistema, mas também maior a possibilidade de que um problema em uma peça afete as demais.
Conhecer os principais protocolos DeFi, portanto, não significa apenas saber o nome de Aave, Uniswap ou MakerDAO. Significa entender qual problema cada projeto tenta resolver e onde ele se encaixa no ecossistema.
Os protocolos DeFi podem ter propostas muito diferentes, mas partem de uma ideia em comum: usar blockchain e contratos inteligentes para criar serviços financeiros que não dependem necessariamente da estrutura tradicional do sistema financeiro.


