A Western Union quer usar sua própria stablecoin USDPT para resolver um problema estrutural do negócio de transferências internacionais: o capital que precisa permanecer parado em contas bancárias para garantir pagamentos entre diferentes países.
A empresa, que opera uma das maiores redes globais de remessas, acredita que a liquidação com criptomoedas estáveis pode reduzir essa necessidade e tornar a movimentação de dinheiro mais eficiente.
Em entrevista ao BeInCrypto durante o evento Merge Madrid, Malcolm Clarke, chefe de ativos digitais da Western Union, explicou que o atual sistema depende de contas pré-financiadas em diferentes instituições financeiras.
“It’s expensive because we have to park capital on those correspondent banking layers.”
Na prática, a companhia precisa manter recursos disponíveis em várias camadas da rede bancária internacional, mesmo antes de os clientes realizarem suas transferências. A proposta é utilizar a liquidação em stablecoins para movimentar esse dinheiro em tempo real, sem depender da mesma estrutura de capital antecipadamente depositado.
A estratégia está no centro do projeto USDPT, stablecoin lançada em maio de 2026, após um anúncio inicial em outubro de 2025. Emitido pelo Anchorage Digital Bank na blockchain Solana, o ativo foi desenvolvido para permitir que a empresa movimente recursos 24 horas por dia.
Western Union quer aproximar stablecoins dos saques em dinheiro
A estratégia não se limita à infraestrutura de liquidação. A Western Union também pretende conectar pagamentos com criptomoedas à sua rede global de atendimento físico.
Por meio de uma estrutura desenvolvida com a infraestrutura da Rain e da Visa, a companhia trabalha em serviços de pagamento baseados em stablecoins.
O modelo permitiria que consumidores pagassem uma pequena tarifa para converter criptomoedas em moeda fiduciária e, depois, retirassem o dinheiro em uma agência da Western Union. Segundo Clarke, o serviço de conversão e saque em espécie alcança 160 mercados.
O avanço dessa estratégia também acompanha mudanças regulatórias nos Estados Unidos. A aprovação do GENIUS Act, em julho de 2025, estabeleceu uma estrutura federal para stablecoins de pagamento. Clarke também mencionou o projeto CLARITY Act como um possível próximo passo para ampliar a integração entre ativos digitais e o sistema financeiro tradicional.
Western Union também avalia pagamentos com inteligência artificial
Outro segmento no radar da empresa são os pagamentos realizados por agentes de inteligência artificial. Clarke, no entanto, demonstrou cautela com o entusiasmo em torno desse mercado.
“It feels like it’s the next buzzword that gets VCs to unlock their wallets and it’s exciting.”
Apesar do ceticismo, o executivo reconhece que existe potencial para esse tipo de aplicação, desde que os agentes operem com permissões confiáveis e consigam realizar pagamentos instantaneamente.
Nesse cenário, a infraestrutura de pagamentos precisaria oferecer liquidação global em tempo real. Como explicou Clarke:
“So you need a real-time, irrefutable payment rail that can be global as a single layer.”
A Western Union também pretende aceitar outras criptomoedas e convertê-las em USDPT, ampliando as possibilidades de integração entre diferentes ativos digitais e sua rede de pagamentos.
Para a empresa, porém, a adoção não depende de convencer consumidores sobre os benefícios tecnológicos das stablecoins. A prioridade é oferecer uma experiência de transferência ou saque que funcione sem exigir que o cliente entenda a infraestrutura por trás da operação.
“If you go to the general user that’s not in these conferences and talk to them about stablecoin, they’re not interested, and they’re gonna look at you sideways and frankly they should.”







