
Um novo levantamento da CoinShares divulgado em 5 de outubro aponta um descompasso claro no mercado financeiro. Investidores de alta renda buscam cada vez mais consultoria em criptomoedas, enquanto seus gestores de patrimônio mantêm uma postura excessivamente cautelosa.
A pesquisa ouviu 2.230 investidores com mais de US$ 500 mil em ativos fora do setor imobiliário, distribuídos por sete grandes mercados, incluindo Estados Unidos e Reino Unido. Cerca de 40% dos entrevistados nesses locais afirmam que seus assessores são conservadores demais em relação aos ativos digitais.
A falta de uma consultoria em criptomoedas institucionalizada reflete dados de um estudo anterior da empresa. Publicado em junho e focado nos profissionais de gestão, o relatório mostrou que 61% dos assessores trabalham em empresas que impõem restrições aos ativos digitais ou não possuem diretrizes internas claras.
Essa política restritiva cria um ponto cego financeiro. Um quarto dos assessores admite que mais da metade das posses em cripto de seus clientes estão fora de sua supervisão. No Reino Unido, essa falta de visibilidade afeta 52% dos profissionais.
Para os gestores, a volatilidade (56%) e o caráter especulativo (52%) são as principais razões pelas quais eles acreditam que os clientes hesitam. No entanto, o comportamento real dos investidores contrasta com essa visão corporativa.
Demanda crescente por consultoria em criptomoedas
Os dados confirmam que o interesse das grandes fortunas é sólido e em expansão. Dependendo do mercado analisado, entre 54% e 70% dos entrevistados já possuem ativos digitais em suas carteiras.
A intenção de compra também é alta. Entre 71% e 91% dos atuais detentores planejam aumentar sua exposição ainda este ano. Contudo, 88% desses investidores admitem que não possuem conhecimento técnico para investir com total segurança sozinhos.
Diante dessa barreira técnica, 69% afirmam que trabalhariam com um gestor especializado. Além disso, 98% dos que buscam consultoria em criptomoedas estão dispostos a pagar pelo serviço.
O CEO da CoinShares, Jean-Marie Mognetti, classifica essa lentidão do mercado tradicional como um risco comercial imediato. Segundo ele, os clientes simplesmente não estão esperando permissão para alocar seu capital.
“A cada mês que uma empresa permanece em silêncio, mais a riqueza de seus clientes migra para além de seus conselhos, de sua visibilidade e, em última análise, de sua economia”, afirmou Mognetti.
Para os assessores mudarem de postura, o cenário precisa de validação institucional. O reconhecimento regulatório (45%) e o acesso simplificado por meio de produtos negociados em bolsa (43%) são os principais fatores citados pelos profissionais para aumentar a confiança no setor.








