O ciclo do Bitcoin como conhecemos parece ter mudado de vez. Dados recentes mostram que diversos indicadores técnicos atingiram níveis de “fundo de mercado” que só vimos em crises extremas, mas com uma diferença crucial: o preço não derreteu 80% como nas outras vezes.
Atualmente, o mercado sinaliza um “reset” completo sem que tenha havido um topo de euforia. O Z-Score do Múltiplo de Mayer, por exemplo, caiu para níveis registrados apenas no crash da Covid (2020) e na quebra da FTX (2022), quando o ciclo do Bitcoin estava em colapso.
Outro dado que chama a atenção é o Índice Sharpe, que entrou na zona de “baixo risco”. Historicamente, esse posicionamento precedeu grandes ralis de alta, embora o cenário atual seja único pela resiliência do preço acima de patamares históricos.
Além disso, cerca de 39% da oferta de moedas está operando “no prejuízo”. Esse nível de dor entre os investidores costuma aparecer apenas nas fases finais de mercados de baixa, e não enquanto o preço se mantém em patamares elevados, como vemos agora.
O “relógio” do Bitcoin: como os mercados globais influenciam os movimentos do BTC
Um mercado sem euforia e com “mãos de diamante”
O mais curioso é que este ciclo do Bitcoin não apresentou o típico sinal de topo. O índice NUPL, que mede o lucro e prejuízo não realizado, sequer tocou a zona azul de “euforia extrema” antes de recuar, sugerindo que a ganância desenfreada ainda não dominou o varejo.
A força do movimento vem de quem não aceita vender: a oferta nas mãos de investidores de longo prazo (LTH) voltou a subir, superando 14,5 milhões de BTC. Esse grupo agora inclui ETFs e reservas institucionais, que possuem mandatos de compra que ignoram a volatilidade comum do ciclo do Bitcoin.
A média móvel de 200 semanas, que sempre serviu como o “chão” absoluto do mercado, foi testada e segurou o preço com firmeza. Para analistas, essa combinação de métricas de capitulação com preços sustentados cria uma configuração assimétrica raríssima.
Se o modelo de quatro anos realmente quebrou, o Bitcoin pode estar entrando em uma fase de maturação institucional. Onde antes víamos colapsos de 85%, agora vemos resiliência e acumulação silenciosa por parte dos grandes players.




