O avanço do mercado de criptomoedas no Brasil transformou o país no maior polo de ativos digitais da América Latina, movimentando US$ 318 bilhões entre meados de 2024 e 2025. No entanto, esse crescimento expressivo atraiu redes criminosas globais que buscam explorar as plataformas locais.
Dados de mercado da Chainalysis apontam que organizações de lavagem de dinheiro em língua chinesa, redes de evasão de sanções russas e o tráfico de drogas concentram mais de 50% das entradas ilícitas detectadas em corretoras brasileiras selecionadas em 2025.
O cenário global reflete essa profissionalização do crime cibernético. O volume total recebido por endereços ilícitos no mundo saltou para US$ 154 bilhões em 2025, impulsionado pelo uso massivo de stablecoins, moedas pareadas ao dólar que oferecem estabilidade de preço.
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Como as novas regras impactam o mercado de criptomoedas no Brasil
Em território nacional, o monitoramento de criptomoedas no Brasil identificou que facções criminosas de grande porte e fluxos vinculados a serviços russos sancionados, como a plataforma de troca A7A5, ganharam espaço nas transações de plataformas locais.
Apesar da pulverização das contas utilizadas por criminosos para burlar a fiscalização, o volume financeiro ilícito é altamente centralizado. Apenas cinco endereços de depósito foram responsáveis por receber entre 75% e 90% de todo o fluxo ilegal nas exchanges nacionais por trimestre.
Esse cenário complexo coincide com a implementação prática das novas diretrizes para as criptomoedas no Brasil estabelecidas pelo Banco Central (BCB). As Resoluções 519, 520 e 521 entraram em vigor em fevereiro de 2026, criando regras rígidas para provedores de serviços digitais.
As obrigações de relatórios financeiros e regras de conformidade começaram a valer em 4 de maio de 2026. O cronograma oficial estipula que as empresas do setor em funcionamento têm até o dia 29 de outubro de 2026 para obter as licenças definitivas de operação.
Além disso, a fiscalização ganhou reforço legal em março de 2026 com a Lei nº 15.358. O dispositivo jurídico expandiu os poderes de autoridades para congelar, apreender e reaproveitar bens digitais que possuam vínculos comprovados com o crime organizado.
A transparência nativa das redes blockchain permite que ferramentas tecnológicas avancem na identificação de fraudes. Com as novas exigências, o ecossistema de criptomoedas no Brasil tende a se tornar um ambiente mais seguro para investidores e hostil para agentes ilegais.
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