TRON movimenta US$ 2,1 Trilhões, mas preço da criptomoeda fica estagnado

TRON movimenta US$ 2,1 Trilhões, mas preço da criptomoeda fica estagnado

A TRON se consolidou como a principal rede para liquidações de stablecoins no segundo trimestre de 2026. Mesmo movimentando um volume recorde de pagamentos, a liquidez não está fluindo para o setor de finanças descentralizadas (DeFi) do ecossistema.

Segundo um relatório da Messari, a oferta de Tether (USDT) na rede alcançou US$ 87,9 bilhões ao final do trimestre, superando o Ethereum (ETH). Durante esse período, a blockchain processou impressionantes US$ 2,1 trilhões em transferências de USDT.

O valor de mercado total de stablecoins na TRON cresceu 4,1%, atingindo o recorde de US$ 89,2 bilhões. Desse montante, o USDT domina com 98,5% de participação, impulsionando o volume médio diário de transferências para US$ 22,8 bilhões.

Os dados mostram que o uso tem foco em utilidade diária e não em especulação. A velocidade das stablecoins se manteve em 0,26, o que significa que cerca de um quarto da oferta mudou de mãos todos os dias, um padrão que se mantém inalterado há cinco trimestres.

O uso da blockchain também bateu recordes, registrando uma média de 11,8 milhões de transações diárias e 3,6 milhões de endereços ativos, além de um pico de 14,6 milhões de operações processadas apenas no dia 15 de junho.

Por que o crescimento da TRON não reflete no setor DeFi?

Em contraste com o sucesso dos pagamentos, a economia interna da rede encolheu. O valor total bloqueado (TVL) no setor DeFi da TRON caiu 1,9%, fechando o trimestre em US$ 4,4 bilhões. O protocolo JustLend, líder do segmento, recuou 10,5% e perdeu fatia de mercado.

O volume médio diário nas corretoras descentralizadas (DEXs) da rede caiu 21,7% para US$ 49,3 milhões, marcando o quarto declínio trimestral consecutivo. Analistas apontam que “o declínio permanece consistente com o esfriamento mais amplo na negociação à vista on-chain, em vez de uma tendência estrutural específica da TRON”.

Na contramão do uso de aplicativos, as taxas pagas na rede subiram 15,9%, gerando US$ 699,4 milhões. Esse foi o primeiro aumento trimestral desde que uma mudança de governança reduziu o custo de energia da rede em agosto de 2025.

Apesar dos bilhões movimentados, o preço do token nativo permaneceu estável. O ativo encerrou o trimestre cotado a US$ 0,32 e atualmente é negociado perto de US$ 0,33, cerca de 23% abaixo da sua máxima histórica. A perspectiva futura depende da capacidade da rede em converter seu domínio global de pagamentos em valorização direta para a moeda.