Sorte ou informação privilegiada? Como 3% dos traders dominam o Polymarket

Sorte ou informação privilegiada? Como 3% dos traders dominam o Polymarket

Imagem de perfil de Redação

por Redação

A ideia de que os mercados de previsão funcionam por causa da “sabedoria das multidões” acaba de sofrer um duro golpe. Um novo estudo de pesquisadores da London Business School e de Yale mostra que a precisão desses mercados depende, na verdade, de um grupo minúsculo de pessoas.

Ao analisar 1,72 milhão de contas no Polymarket, com um volume de US$ 13,76 bilhões entre 2023 e 2025, os cientistas descobriram que apenas 3% dos traders são responsáveis pela descoberta de preços. Ou seja, é essa elite que empurra as apostas para o resultado correto.

Enquanto esses poucos traders informados lucram consistentemente, os outros 97% funcionam basicamente como fornecedores de liquidez. Na prática, a grande maioria está do lado perdedor das negociações, financiando os ganhos da minoria habilidosa.

Para separar a sorte do talento, os pesquisadores rodaram simulações de “cara ou coroa” 10 mil vezes para cada aposta. O resultado foi surpreendente: entre os maiores ganhadores, apenas 12% realmente superaram a sorte, e cerca de 60% dos “vencedores sortudos” acabam virando perdedores com o tempo.

O peso do insider trading e a reação dos especialistas

Esses traders de elite são os primeiros a reagir quando surge uma notícia bombástica, como anúncios do Federal Reserve ou balanços corporativos. Enquanto eles se posicionam rápido, o restante da multidão no Polymarket demora a entender o movimento ou nem reage de forma consistente.

O estudo também tocou em um ponto sensível: o uso de informações privilegiadas. Um caso citado foi a queda de Nicolás Maduro na Venezuela. Dias antes da operação, três contas novas fizeram apostas gigantescas, lucrando mais de US$ 630 mil. Não há provas de irregularidades, mas o padrão chamou a atenção.

Negociações com informações internas movem os preços de 7 a 12 vezes mais rápido que o normal. No entanto, o relatório pondera que isso é raro, a precisão do Polymarket no dia a dia ainda depende mais de traders experientes e recorrentes do que de “apostas únicas” suspeitas.

No fim das contas, o Polymarket não é um palpite coletivo, mas um campo dominado por quem tem informação de qualidade, o sucesso desses mercados parece vir de quem sabe mais, e não de quem ‘grita mais alto’.