O Bitcoin voltou a recuar nesta semana depois de uma tentativa frustrada de recuperação, reforçando o temor de que o movimento recente tenha sido uma bull trap — expressão usada para descrever um falso rompimento de alta que acaba atraindo compradores antes de uma nova queda.
Depois de atingir US$ 66.921, a criptomoeda perdeu força e caiu para a região de US$ 63.400, devolvendo praticamente todos os ganhos acumulados na semana anterior. No início do pregão, o ativo chegou a tocar US$ 62.684 antes de recuperar parte das perdas.
A pressão não ficou restrita ao mercado de criptomoedas. A sessão começou com forte aversão ao risco nos mercados globais após o índice sul-coreano KOSPI abrir em queda superior a 8%, acionando um circuit breaker. Ao mesmo tempo, o petróleo recuou 2%, o ouro caiu 1% e os futuros da Nasdaq também operaram no vermelho.
Nas últimas 24 horas, mais de US$ 670 milhões em posições no mercado de criptomoedas foram liquidadas, sendo cerca de US$ 533 milhões em posições compradas, segundo os dados citados pela Decrypt.
O que os indicadores dizem sobre o Bitcoin
Na análise técnica, o cenário permanece desfavorável para o Bitcoin.
O preço do ativo continua negociado abaixo da média móvel exponencial de 200 períodos (EMA 200) e também abaixo da EMA de 50 períodos. Essa configuração, conhecida como death cross, costuma indicar que a tendência principal permanece de baixa.
Outro indicador acompanhado pelos analistas é o Índice de Força Relativa (RSI), que está em 46,5 pontos. Como o nível permanece abaixo de 50, o indicador mostra um mercado sem força compradora suficiente para confirmar uma recuperação consistente, mas também distante da região considerada de sobrevenda.
Já o Squeeze Momentum Indicator permanece ativo há nove períodos consecutivos. Embora esse tipo de configuração normalmente anteceda um movimento mais intenso de preços, a leitura atual mostra pouca força compradora, aumentando a possibilidade de que o rompimento aconteça na mesma direção da tendência predominante, que continua sendo de baixa.
O mercado também acompanha a reunião do Federal Open Market Committee (FOMC), responsável pela política monetária dos Estados Unidos. A expectativa predominante é de manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75%, mas investidores seguem cautelosos diante da coletiva do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh.
Além da decisão de juros, qualquer mudança no tom da autoridade monetária pode influenciar ativos de risco, incluindo o Bitcoin.
Segundo dados do mercado de previsões Myriad, mencionados pela Decrypt, os participantes atribuem 65,7% de probabilidade de o Bitcoin atingir US$ 55 mil antes de alcançar US$ 84 mil. Apenas 34,3% acreditam que a criptomoeda chegará primeiro ao nível mais alto.
Apesar do cenário negativo, a análise destaca que uma surpresa mais favorável por parte do Fed ou avanços regulatórios nos Estados Unidos poderiam mudar a dinâmica do mercado.
Até o momento, porém, os indicadores técnicos continuam apontando predominância da tendência de baixa.




