O Polymarket está no centro de um escândalo sem precedentes que mistura espionagem e criptoativos. Um soldado do Exército dos EUA foi preso acusado de utilizar inteligência militar confidencial para lucrar alto na plataforma.
Gannon Ken Van Dyke, de 38 anos, teria faturado mais de US$ 400 mil apostando em mercados relacionados à Venezuela. Este é o primeiro grande caso de insider trading em mercados de previsão que envolve segredos de Estado norte-americanos.
De acordo com o processo, o militar teve acesso a detalhes da “Operação Absolute Resolve”, uma missão focada na remoção de Nicolás Maduro. Com esses dados, ele realizou 13 apostas certeiras no Polymarket entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
A jogada foi extremamente lucrativa: Van Dyke transformou um investimento inicial de US$ 33.034 em um prêmio de US$ 409.881. O lucro astronômico chamou a atenção das autoridades logo após a confirmação da prisão de Maduro em Caracas.
O fim da “farra” no Polymarket e o peso da lei
Três dias após o anúncio da operação militar, o soldado tentou apagar seus rastros. Ele contatou o suporte do Polymarket pedindo para excluir sua conta, alegando falsamente que não tinha mais acesso ao seu e-mail.
O procurador dos EUA, Jay Clayton, deu um recado claro ao mercado: “Mercados de previsão não são um refúgio para o uso de informações confidenciais ou classificadas indevidamente para ganho pessoal”.
Van Dyke agora enfrenta cinco acusações federais pesadas, incluindo fraude eletrônica e roubo de informações governamentais. Se condenado, as penas somadas podem ultrapassar os 20 anos de prisão, mostrando que o anonimato da rede do mercado cripto não protege contra crimes federais.
O presidente da CFTC, Michael S. Selig, reforçou que a fiscalização sobre o Polymarket e similares será rigorosa. Segundo ele, o réu não apenas buscou lucro fácil, mas “agiu de forma a pôr em risco a segurança nacional dos EUA e a vida de militares americanos”.










