Os hacks em criptomoedas causaram prejuízos de US$ 763,9 milhões em 67 incidentes registrados no segundo trimestre de 2026, segundo um relatório da empresa de segurança blockchain Hacken. O volume representa um aumento de 58,3% em relação aos US$ 482,7 milhões perdidos no trimestre anterior e marca o maior nível de perdas desde o segundo trimestre de 2025.

Os maiores ataques do período atingiram os protocolos Drift Protocol e KelpDAO, que perderam cerca de US$ 290 milhões cada. Apesar de falhas em contratos inteligentes terem sido o tipo de vulnerabilidade mais frequente, elas responderam por apenas 11% do valor total roubado.

Em contrapartida, falhas operacionais e de infraestrutura concentraram 88,3% das perdas. Entre os principais problemas identificados estão comprometimento de chaves privadas, assinantes de transações e outras vulnerabilidades ligadas à gestão de acessos, indicando uma mudança no perfil dos hacks em criptomoedas.

Falhas operacionais dominam os hacks em criptomoedas

O relatório também aponta que 75,5% dos recursos desviados foram atribuídos a agentes ligados à Coreia do Norte. O dado reforça a crescente participação de grupos patrocinados por Estados em ataques ao setor.

A Hacken destaca ainda o primeiro caso documentado de um ataque por injeção maliciosa de prompts de inteligência artificial, que resultou no roubo de US$ 174 mil. Segundo a empresa, o incidente ocorreu devido a “inadequate review, missing variants and weak testing”.

O estudo cita ainda um episódio envolvendo a Consensys, desenvolvedora da carteira MetaMask. A empresa confirmou ter contratado um desenvolvedor posteriormente identificado como ligado à Coreia do Norte. Após descobrir a situação cerca de um mês depois, a companhia encerrou o vínculo, revogou todos os acessos ao sistema e comunicou o caso às autoridades.

A Consensys afirmou que não houve perda de fundos, vazamento de dados ou implantação de código malicioso.

Além da segurança, o relatório analisa o avanço da regulamentação do setor. Nos Estados Unidos, a Hacken lembra que as regras previstas pelo GENIUS Act devem entrar em vigor no início de 2027. Já na União Europeia, o período de transição para obtenção da licença prevista pela regulamentação MiCA terminou em 1º de julho.

Até o fim do prazo, aproximadamente 215 empresas de serviços de criptoativos (CASPs) haviam obtido autorização, embora cerca de 1.200 demonstrassem interesse. Segundo o relatório, corretoras como Binance, MEXC e HTX encerraram operações na região por não atenderem às novas exigências.

Entre as dez maiores stablecoins por valor de mercado, o USDC é, até o momento, a única considerada compatível com as regras da MiCA.

Para a Hacken, a tendência é que a confiança do mercado seja cada vez mais direcionada às empresas capazes de demonstrar segurança operacional, independentemente do tempo de atuação, do volume bloqueado em protocolos ou da realização de auditorias.

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Luíza Nunes
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