Enquanto brasileiros movimentam US$ 14 bilhões em stablecoins o FMI pede freio nas criptomoedas no Brasil

Enquanto brasileiros movimentam US$ 14 bilhões em stablecoins o FMI pede freio nas criptomoedas no Brasil

A adoção das criptomoedas no Brasil registrou um salto expressivo no primeiro semestre de 2026. Segundo estatísticas do setor externo divulgadas pelo Banco Central, o volume de compras chegou a US$ 14,68 bilhões, representando um aumento de 135% em relação aos US$ 6,24 bilhões do mesmo período em 2025.

Esse crescimento mostra uma mudança clara no perfil dos investidores locais, com as stablecoins superando o Bitcoin em volume de transações. Apenas em maio de 2026, os brasileiros adquiriram cerca de US$ 2,63 bilhões em stablecoins, um avanço de 158% na comparação anual.

Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, afirmou ao Valor Econômico que os dados apontam para uma consolidação do setor. Segundo o executivo, o mercado de criptomoedas no Brasil já ultrapassou a sua fase inicial e mostra maturidade nas operações via corretoras registradas.

A expansão das stablecoins e a visão do FMI sobre as criptomoedas no Brasil

Apesar do forte volume institucional e de varejo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) cobrou uma revisão urgente na supervisão local. Em seu recente relatório de avaliação de estabilidade financeira, o órgão internacional destacou a necessidade de um marco regulatório mais rígido para o setor.

O documento do FMI reconhece os esforços do Banco Central para regular as provedoras de serviços de ativos virtuais, mas aponta lacunas estruturais. As principais deficiências citadas envolvem a ausência de proteções legais diretas aos clientes e a falta de regras para a segregação de ativos sob custódia.

O fluxo transfronteiriço baseado em criptoativos cresce em ritmo superior ao capital tradicional, impulsionado pela eficiência e vantagens tributárias. O FMI observa que a demanda é influenciada diretamente por fatores macroeconômicos, como flutuações cambiais, taxas de juros e desempenho de índices como o S&P 500.

Enquanto as criptomoedas no Brasil lidam com essa expansão e pressões regulatórias, a Argentina avança no desenvolvimento institucional.

Grupos bancários argentinos, como BIND e Petersen, estão estruturando stablecoins atreladas ao peso para oferecer serviços de dinheiro programável e soluções de tesouraria a grandes empresas, utilizando infraestruturas de parceiros como Circle e Lirium.