Demanda por criptoativos cresce 135% no Brasil e movimenta US$ 14,6 bilhões no semestre

Demanda por criptoativos cresce 135% no Brasil e movimenta US$ 14,6 bilhões no semestre

Os brasileiros estão comprando mais criptoativos do que nunca. No primeiro semestre de 2026, a busca por criptoativos registrou um crescimento de 135% em comparação ao mesmo período do ano passado, movimentando um total de US$ 14,68 bilhões.

Os números oficiais foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo Banco Central (BC). Para efeito de comparação, entre janeiro e junho de 2025, as aquisições somaram US$ 6,24 bilhões. Apenas em junho deste ano, o volume financeiro atingiu US$ 2,54 bilhões, superando o US$ 1,48 bilhão registrado no mesmo mês do ano anterior.

O chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, destacou que “a demanda por residentes no Brasil por criptoativos tem crescido”. Ele explicou o momento atual do setor financeiro digital, apontando que o segmento segue ganhando maturidade.

“O mercado de criptoativo é relativamente novo, já não tão novo assim. Ainda está em expansão, tanto no Brasil quanto no mundo. Está se consolidando e se descobrindo aplicações e usos”, afirmou o representante da autoridade monetária.

O domínio das stablecoins entre os criptoativos no Brasil

O perfil das negociações também passou por uma transformação clara nos últimos anos. Se antes as compras se concentravam no Bitcoin e em moedas de alta volatilidade, hoje o capital dos investidores locais migrou de forma expressiva para ativos com paridade em moedas fiduciárias, como o dólar e o real.

Rocha detalhou essa mudança de comportamento dos usuários: “Mudou radicalmente. Mais de cerca de 90% a 95% da demanda que o Banco Central identifica são por stablecoins, que podem ser usadas como ativos ou como forma de investimento, mas, principalmente, tendem a ser usadas como meios de pagamento e outras formas de liquidar transações.”

Apesar do forte volume de criptoativos no Brasil, o BC reconhece que o monitoramento estatístico atual possui limitações técnicas. A instituição consegue observar os contratos de câmbio nas corretoras, mas ainda não consegue rastrear detalhadamente o destino final dos fundos no balanço de pagamentos.

“É como se a gente tivesse acesso às fontes desses recursos, mas não sabe, exatamente, o uso”, admitiu Rocha. No entanto, o cenário de supervisão deve evoluir em curto prazo, pois ele garantiu que “a partir do ano que vem, teremos uma visão mais completa.”

Essa estruturação mais rígida já tem data para acontecer. A partir de 1º de janeiro de 2027, todas as plataformas e prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAV) terão a obrigação legal de seguir as mesmas diretrizes prudenciais exigidas das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).