Coreia do Sul decide cobrar imposto sobre criptomoedas justo no pior momento do mercado

Coreia do Sul decide cobrar imposto sobre criptomoedas justo no pior momento do mercado

O governo da Coreia do Sul confirmou a aplicação de um imposto sobre criptomoedas de 22% a partir de 2027. A medida avança no exato momento em que o volume de negociações nas cinco principais corretoras do país registra uma queda de quase 55% no primeiro semestre.

A regra estabelece que lucros anuais acima de 2,5 milhões de won, o que equivale a cerca de 1.740 dólares, serão tributados. Os investidores pagarão uma taxa nacional de 20%, somada a um tributo local, elevando a cobrança final para 22%.

Ganhos abaixo desse limite permanecem isentos de tributação. As primeiras declarações estão previstas para maio de 2028, englobando os rendimentos obtidos durante o ano de 2027. O projeto original foi aprovado em 2020 e passou por múltiplos adiamentos desde então.

O impacto do novo imposto sobre criptomoedas nas corretoras

A decisão ainda enfrenta forte resistência no parlamento sul-coreano. A principal crítica dos opositores é que o modelo atual não permite que o investidor compense perdas passadas com lucros futuros, o que pode incentivar a migração de capital para corretoras estrangeiras e plataformas descentralizadas.

Os dados de negociação recentes explicam a preocupação do setor. Entre janeiro e junho, plataformas como Upbit, Bithumb, Coinone, Korbit e Gopax movimentaram 366,58 bilhões de dólares em conjunto. O montante representa uma retração de 54,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esse cenário de menor liquidez está concentrando as operações nas maiores empresas. A Upbit ampliou sua fatia de mercado de 62,3% para 67,4% em julho. Enquanto isso, exchanges menores enfrentam pressão e buscam parcerias com firmas de valores mobiliários para manter a competitividade estrutural.