Para que serve a blockchain? Essa pergunta colocou os desenvolvedores em pé de guerra. A polêmica gira em torno da BIP-110, uma proposta que pretende impedir os usuários de gravarem arquivos pesados na rede do Bitcoin.
A discussão divide o ecossistema. De um lado, os defensores das Inscriptions (tecnologia parecida com os NFTs) querem manter a liberdade de uso na rede do Bitcoin. Do outro, críticos chamam esses dados de “spam“.
Rede Bitcoin vs. Ativo: o que os investidores de ETF perdem ao focar apenas no preço
Como a atualização afeta os usuários na rede do Bitcoin
Atualmente, qualquer transação pode carregar dados extras. A nova proposta quer reduzir esse limite para apenas 256 bytes por pedaço, o que na prática quebraria o formato atual de armazenamento de imagens e textos permanentes. A votação entre os mineradores abriu em dezembro de 2025, mas o apoio não passou de 1%. Ainda assim, a regra pode entrar em vigor em agosto: computadores com o novo software passarão a rejeitar blocos que não tragam a marca de apoio à medida.
O CEO da Blockstream, Adam Back, alertou para o risco de um “fork“, que poderia cindir o ecossistema. Michael Saylor, da Strategy, também classificou o plano de Dathon Ohm e Luke Dashjr como um perigo desnecessário criado internamente. Por outro lado, Dashjr defendeu a urgência da medida na última quinta-feira: “Se a BIP110 falhar, o Bitcoin falha junto. Não tenho interesse em nenhuma CBDC, muito menos em uma CBDC não regulamentada fingindo ser descentralizada.”
Os criadores de Ordinals já se anteciparam. O desenvolvedor lifofifoX publicou no dia 2 de julho uma solução que fatia os arquivos em tamanhos permitidos pela nova regra. Casey Rodarmor, criador do protocolo, aprovou a mudança no GitHub: “Parece bom para mim! Vamos esperar até que a BIP-110 seja ativada para fazer o merge disso”.
A disputa envolve muito dinheiro. Em outubro de 2024, o formato Runes causou um aumento de 32% nas taxas pagas aos mineradores. Contudo, quem valida as transações na rede do Bitcoin reclama que precisa guardar esses arquivos pesados para sempre sem ganhar nada por isso.
O prazo final forçado está a cerca de cinco semanas. Se o silêncio dos mineradores persistir, o mercado logo descobrirá se a falta de votos indica oposição real ou apenas indiferença à polêmica.
Minerar Bitcoin ainda faz sentido? Entenda custos, riscos e o novo cenário da mineração





