
A Bitget movimentou US$ 1,86 trilhão em negociações no terceiro trimestre de 2026, segundo seu relatório de transparência publicado em 2 de novembro. O resultado reflete o avanço das operações com criptomoedas e ativos tradicionais.
No entanto, o documento também revela um ponto que merece atenção: o fundo de proteção da exchange ainda está abaixo do saldo registrado antes do ataque de setembro, que provocou perdas estimadas em US$ 387,5 milhões.
Os derivativos de criptomoedas responderam por US$ 409,19 bilhões em volume, uma alta de 31,5% em relação ao trimestre anterior. Já as negociações à vista (spot) cresceram 65,7%, enquanto os contratos por diferença (CFDs) somaram US$ 376,32 bilhões, avanço de 39,7%.
Com esse desempenho, os CFDs se tornaram a maior categoria de negociação da plataforma fora do mercado cripto. O movimento acompanha a expansão da Bitget para ativos tradicionais, incluindo ações tokenizadas. Em setembro, o volume mensal de negociações chegou a aproximadamente US$ 620 bilhões, alta de 21,2% ao longo do trimestre.
A corretora também ampliou o GetAgent Playbook para incluir ações americanas tokenizadas, lançou o Cash Plus, produto de stablecoin com rendimento, e apresentou a Cross-Asset Unified Account, uma conta que permite usar diferentes ativos como garantia em um mesmo sistema de margem.
Bitget amplia uso de garantias, mas margem compartilhada exige atenção
A Cross-Asset Unified Account reúne mais de 370 ativos elegíveis, entre eles mais de 100 ações americanas tokenizadas. Segundo a empresa, determinados ativos podem alcançar uma taxa de avaliação de até 95% como garantia.
Na prática, isso permite que o usuário utilize uma parcela elevada do valor desses ativos para sustentar posições e obter exposição a outros mercados. A flexibilidade, porém, pode reduzir a margem disponível para absorver oscilações negativas. Como diferentes ativos compartilham o mesmo sistema de garantias, uma queda acentuada nas ações também pode afetar outras posições e provocar liquidações.
O relatório não detalha os descontos aplicados ao valor de cada ativo, os limites de liquidação nem os critérios usados para precificar ações tokenizadas fora do horário regular do mercado americano. Essas informações são importantes para avaliar o risco de operar com margem compartilhada.
A segurança da plataforma também permanece em foco. Em 24 de setembro, às 19h05 UTC, a Bitget identificou transferências não autorizadas de suas carteiras quentes. A estimativa inicial de perdas, de US$ 351,6 milhões, foi posteriormente revisada para US$ 387,5 milhões após novas investigações on-chain.
A empresa afirma que os saldos dos clientes não foram afetados e que o User Protection Fund, seu fundo de proteção aos usuários, cobriu as perdas. Para responder ao incidente, a corretora contratou as empresas de segurança Mandiant e SlowMist, suspendeu temporariamente os saques, implementou um mecanismo de interrupção de operações e passou por uma avaliação independente.
O saldo do fundo, entretanto, mudou de patamar. Em comunicado publicado em 24 de setembro, a empresa informou que ele possuía mais de US$ 464 milhões em ativos. No relatório do terceiro trimestre, com dados até 30 de setembro, o saldo informado já era superior a US$ 300 milhões.
A diferença representa cerca de US$ 164 milhões, ou aproximadamente 35% do valor divulgado antes da atualização. Os números indicam que a reserva foi parcialmente recomposta depois de absorver as perdas, mas ainda não havia retornado ao nível anterior ao ataque.
A Bitget também declarou manter uma taxa de Proof of Reserves (PoR) superior a 110%. Esse indicador, porém, não deve ser confundido com o fundo de proteção: enquanto a prova de reservas busca demonstrar que os ativos cobrem os passivos dos clientes, o fundo funciona como uma reserva adicional para situações excepcionais.
O trimestre da Bitget combina crescimento expressivo nas negociações com uma expansão para mercados tradicionais. Mas os US$ 1,86 trilhão em volume não contam toda a história.
A recuperação incompleta do fundo de proteção e o uso de ativos com avaliações de até 95% como garantia mostram por que o desempenho comercial de uma corretora precisa ser analisado junto com seus mecanismos de segurança e gestão de risco.









