A Aztec, rede de segunda camada (Layer 2) do Ethereum voltada para privacidade, lançou uma atualização que promete tornar suas transações privadas duas vezes mais rápidas e reforçar a segurança do protocolo.

Batizada de Aztec Tierra, a atualização também corrige uma vulnerabilidade crítica identificada na versão anterior e reduz significativamente o tempo necessário para transferir ativos da rede principal do Ethereum.

Anunciada pela Aztec Foundation nesta terça-feira, a atualização, identificada como Alpha V6, incorpora melhorias no sistema de provas criptográficas, verificação formal de componentes de segurança e uma nova estrutura de comunicação entre o Ethereum e a Aztec.

A rede também passou por uma reformulação de marca. Atualmente, o projeto conta com mais de 3.000 validadores e oferece contratos inteligentes programáveis com recursos de privacidade.

Um dos principais objetivos da arquitetura é eliminar pontos de controle centralizados. Segundo a equipe, a rede não possui chaves privilegiadas de visualização (viewing keys) nem um sequenciador centralizado, o que significa que nenhum operador individual deveria ter acesso irrestrito à atividade dos usuários ou controle exclusivo sobre as operações.

Aztec reforça segurança e acelera transações privadas

Na parte de segurança, a Tierra corrige vulnerabilidades conhecidas de versões anteriores, incluindo um problema considerado crítico, identificado na V5.

Entre as novidades estão um sistema de testes de segurança apoiado por inteligência artificial (IA) e a verificação formal de componentes criptográficos essenciais. Esse último processo utiliza métodos matemáticos para demonstrar que determinadas partes do código se comportam conforme as especificações estabelecidas.

A iniciativa acompanha um movimento mais amplo no setor de criptomoedas: o uso crescente de ferramentas de IA para identificar possíveis falhas em códigos também aumenta a necessidade de mecanismos mais rigorosos de auditoria e proteção.

O desempenho também recebeu melhorias importantes. Segundo a equipe, a geração de provas necessárias para transações privadas agora leva aproximadamente um segundo em um dispositivo convencional, o que representa o dobro da velocidade em relação à versão anterior.

Além disso, uma nova arquitetura de comunicação reduziu o intervalo entre mensagens enviadas do Ethereum para a Aztec. O processo, que levava em média dois minutos, pode ser concluído em apenas 12 segundos. A mudança beneficia principalmente depósitos e operações entre as duas redes.

“Privacy shouldn’t be something you have to request or trust someone else to protect. It should be built into the network”, afirmou Zac Williamson, cofundador e CEO da Aztec Foundation.

A declaração resume a proposta do projeto de incorporar privacidade diretamente à infraestrutura da rede, em vez de tratá-la como um recurso adicional que depende de configurações ou intermediários.

A atualização também chega acompanhada de novos aplicativos que exploram os recursos de privacidade da infraestrutura.

Entre eles está o zk.money, aplicativo de pagamentos e poupança privada desenvolvido pela Aztec Labs e reativado neste ano. Com a melhoria na comunicação entre redes, os usuários podem realizar depósitos diretamente de qualquer carteira Ethereum, sem precisar recorrer a processos complexos de conexão entre blockchains.

Outros projetos incluem o Galactica, voltado para processamento privado de inteligência artificial; o Nemi, plataforma de negociação de contratos perpétuos com privacidade; o Nulo, uma carteira privada para navegador; e o Rolling Chat, um fórum de mensagens privado baseado em experimentos com a Aztec realizados pelo cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin.

O lançamento ocorre em meio ao interesse renovado por soluções de privacidade no ecossistema Ethereum. Buterin já apresentou propostas para transformar a rede em um computador mundial criptográfico (cryptographic world computer) e reduzir os custos de tecnologias de privacidade resistentes à computação quântica.

Paralelamente, outra equipe envolvida no desenvolvimento de soluções de privacidade institucional para o Ethereum criou uma empresa com fins lucrativos para ampliar a adoção dessas ferramentas.

Com a Tierra, a Aztec aposta que a privacidade deixará de ser um recurso opcional no Ethereum e passará a fazer parte da infraestrutura utilizada por aplicativos, pagamentos e serviços financeiros descentralizados.

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Luíza Nunes
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