Um ano após atingir a máxima histórica de US$ 126.000 em 6 de outubro de 2025, a queda do Bitcoin é de apenas 32%. O ativo é negociado na faixa de US$ 85.450, um recuo consideravelmente menor do que o registrado no passado.

Em mercados tradicionais, um declínio dessa proporção indicaria um colapso. Para a criptomoeda, contudo, os números atuais confirmam um cenário bem menos severo. Exatamente um ano após os topos de 2013, 2017 e 2021, o recuo foi de 69,7%, 82,3% e 74,6%, respectivamente.

O ponto de menor preço também chegou mais rápido. Em 30 de junho, a moeda tocou os US$ 59.000, marcando 53% de desvalorização máxima. Em ciclos anteriores, o fundo do poço exigia cerca de um ano para se formar, com perdas totais que variavam de 77% a 85%.

“As mudanças mais notáveis são a duração significativamente encurtada do rebaixamento e o tempo reduzido gasto no fundo”, afirmou Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group.

Essa diferença estrutural na queda do Bitcoin ocorre pela mudança de perfil dos investidores. O ciclo de 2023 a 2025 teve forte fluxo de capital institucional via ETFs, substituindo o varejo altamente alavancado que dominava as operações antigas.

O que limita a queda do Bitcoin e os próximos desafios

O reflexo direto dessa institucionalização é a estabilidade de preços. A volatilidade anualizada da criptomoeda ronda a marca de 40%, um índice notavelmente abaixo das médias históricas que costumavam superar 80%.

“À medida que o ativo evolui e mais participantes entram no mercado, a volatilidade realizada do ativo diminuirá. Isso significa rebaixamentos mais rasos e picos mais baixos”, destacou Jeff Anderson, líder da STS Digital nos Estados Unidos.

Mesmo com o cenário controlado, a próxima fase da queda do Bitcoin dependerá de fatores macroeconômicos externos, especialmente do mercado de títulos dos Estados Unidos.

O rendimento do Tesouro americano de 30 anos atingiu 5,7%, o maior nível desde abril de 2002. Com um aumento superior a 80 pontos-base apenas neste ano, o custo de oportunidade para manter ativos sem rendimento fixo se torna cada vez maior.

Se essa escalada nos juros de longo prazo não for contida pelas políticas do governo americano, analistas alertam que a atual resiliência do mercado pode ceder, e a queda do Bitcoin poderá enfrentar uma liquidação mais expressiva.

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Luíza Nunes
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