A Ledger anunciou uma nova ferramenta para clientes que buscam liquidez sem abrir mão dos seus ativos: o recurso de empréstimo de Bitcoin diretamente pelo aplicativo Ledger Wallet.

Revelada nesta quarta-feira durante o evento TOKEN2049, em Singapura, a funcionalidade permite dar moedas embrulhadas (wrapped Bitcoin), como cbBTC ou wBTC, em garantia para pegar empréstimos nas stablecoins USDC ou USDT.

A proposta principal do serviço é oferecer acesso a recursos financeiros sem a necessidade de transferir fundos para corretoras centralizadas ou realizar a venda dos ativos. Todo o gerenciamento da operação ocorre dentro do aplicativo, onde o investidor acompanha a taxa de valor do empréstimo em relação à garantia (LTV), adiciona mais garantias, paga débitos ou solicita novos valores.

Cada ação relevante exige autorização manual do usuário no próprio dispositivo Ledger antes da execução.

Como funciona o empréstimo de bitcoin e quais são os riscos

O funcionamento do recurso é sustentado pela rede de crédito descentralizado Morpho, por meio da provedora técnica Yield.xyz. Essa mesma infraestrutura é utilizada pela Coinbase em suas operações de crédito respaldadas por criptoativos.

Além disso, a Ledger garantiu acesso direto dos seus dispositivos de assinatura à Morpho, eliminando a intermediação de extensões de navegador ou carteiras de software.

De acordo com Paul Frambot, cofundador da Morpho, a integração gera “a powerful liquidity flywheel”, pois as moedas estáveis aplicadas no produto Earn da Ledger passam a alimentar os fundos disponibilizados para o empréstimo de bitcoin contratado pelos investidores.

Com essa novidade, a empresa de carteiras físicas consolida sua presença no setor de serviços financeiros. O movimento acompanha tendências globais do mercado: a Coinbase lançou recentemente empréstimos com taxas fixas no Reino Unido, e o banco JPMorgan também já avaliou operações de crédito garantidas por Bitcoin e Ethereum.

Para quem estuda realizar um empréstimo de bitcoin, a vantagem é obter saldo em dinheiro sem acionar eventos tributários decorrentes da venda de ativos. Por outro lado, há riscos envolvidos: caso ocorra uma desvalorização acentuada no preço das criptomoedas depositadas, a garantia pode ser liquidada para cobrir o débito.

A Ledger, que afirma proteger quase 30% de todo o Bitcoin pertencente a investidores de varejo no mundo, também apresentou no evento de Singapura uma edição limitada de 250 unidades da carteira Nano Gen5. O modelo traz a marca do time de basquete San Antonio Spurs, estendendo a parceria comercial iniciada no ano passado.

O serviço de crédito já começou a ser liberado para usuários elegíveis e expandirá sua disponibilidade gradualmente.

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Luíza Nunes
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