A fusão entre as finanças tradicionais e o mercado cripto caminha para um ponto sem volta. Edwin Mata, CEO e fundador da plataforma Brickken, projeta que Wall Street adotará a tokenização de ativos de forma integral em sua infraestrutura operacional até o ano de 2030.
Segundo o executivo, termos corporativos como “Web3” estão perdendo força à medida que os grandes bancos passam a utilizar a tecnologia blockchain para processos cotidianos de liquidação e pagamentos. A transição deve transformar o ecossistema cripto em uma extensão natural das fintechs.
O movimento rumo a tokenização de ativos ganha tração com iniciativas de gigantes institucionais, a exemplo do fundo BUIDL, da BlackRock. Outro marco recente foi a aquisição da agência de transferência Equiniti pela Bullish por US$ 4,2 bilhões, focando no registro direto de ações em blockchain, sem intermediários sintéticos.
Por que os ativos do mundo real tokenizados se tornaram a principal aposta institucional da blockchain
Regulação europeia ameaça a tokenização de ativos por startups
A próxima grande virada na tokenização de ativos não será impulsionada por humanos, mas por softwares de inteligência artificial. A Brickken, que já migrou mais de US$ 500 milhões para as redes de blocos, está integrando agentes de IA para automatizar a entrada de novos clientes e a busca por liquidez.
Apesar do otimismo global, Mata faz duras críticas ao MiCA, o regime regulatório da União Europeia. Para ele, as regras complexas e lentas protegem os bancos tradicionais e sufocam as pequenas empresas emergentes do setor.
Conseguir uma licença na Europa pode demorar até nove meses, um tempo de espera financeiramente fatal para uma startup. Esse cenário regulatório rígido tende a empurrar novos negócios para regiões mais flexíveis, como os Emirados Árabes Unidos e o Sudeste Asiático.
O diretor de tecnologia (CTO) da Ledger, Charles Guillemet, compartilha dessa visão crítica. Ele destaca que o modelo europeu acabou beneficiando as instituições financeiras tradicionais, prejudicando o ambiente de inovação para novos participantes do mercado de ativos digitais.
Por outro lado, o CEO da Brickken acredita que os Estados Unidos manterão a liderança na inovação financeira devido ao tamanho gigantesco de seu mercado de capitais, minimizando os atuais embates políticos e regulatórios em Washington como ruídos passageiros.
Estrutura do mercado cripto: quem controla a liquidez, a custódia e o fluxo de capital





