As recentes ações do Japão no mercado de câmbio estão gerando impactos diretos no preço do Bitcoin. Com o ativo negociado perto de US$ 62.800, especialistas do mercado debatem se a criptomoeda pode recuar até a marca de US$ 50.000 nos próximos dias.
A relação direta envolve o chamado “carry trade”, uma estratégia em que investidores pegam ienes emprestados a juros baixos para aplicar em ativos de maior risco, como as criptomoedas. Quando a moeda japonesa se fortalece de forma brusca, esses investidores são forçados a encerrar suas posições e vender ativos.
Analistas observam que as principais quedas da criptomoeda em 2026 coincidiram com os momentos de defesa da moeda asiática. O especialista Crypto Rover destacou recuos de 35,43% entre o final de janeiro e meados de fevereiro, além de uma retração de 26,28% entre o fim de abril e 10 de junho, ambos alinhados a intervenções cambiais.
Qual o destino para o preço do Bitcoin com a força do iene?
No final de julho, o padrão foi validado mais uma vez, quando o iene se aproximou de sua mínima de 40 anos frente ao dólar, na faixa de 164. Dias depois, os governos de Tóquio e Washington confirmaram uma intervenção coordenada para a compra de ienes, a primeira operação conjunta desse tipo desde 1998.
Os números da operação são robustos. Dados do Banco do Japão indicam que o país gastou cerca de US$ 59 bilhões nessas recentes movimentações. Apenas na semana anterior, a autoridade monetária injetou quase US$ 32 bilhões para conter a desvalorização cambial.
Diante desse cenário de liquidação, o analista Ted Pillows projeta que o preço do Bitcoin pode buscar o patamar de US$ 50.000. Essa queda se materializaria caso a lei CLARITY Act falhe e o desmonte das operações de carry trade ganhe ainda mais velocidade.
Por outro lado, o estrategista Michaël van de Poppe apresenta uma leitura oposta dos gráficos. Ele avalia que a combinação de um iene fortalecido e um dólar fraco retira a atratividade dos títulos públicos, canalizando a liquidez global justamente para ativos de risco como o Bitcoin.
“O dump de segunda-feira está acontecendo no #Bitcoin. Provavelmente iremos um pouco mais baixo e depois voltaremos a subir”, afirmou Van de Poppe em publicação nas redes sociais.
Atualmente, o ativo opera sob pressão e permanece quase 50% abaixo de sua máxima histórica de US$ 126.198, registrada em outubro de 2025. O mercado de criptomoedas agora segue em alerta, dependendo diretamente da velocidade e da intensidade do avanço do iene para definir sua próxima tendência.





