O preço do Bitcoin continua sendo negociado abaixo de marcas importantes de suporte há cinco meses. De acordo com o relatório mais recente da Glassnode, esse movimento sinaliza que a principal criptomoeda do mercado atravessa um dos períodos de desvalorização mais longos de sua história recente.
Cotado abaixo de US$ 63.000, o ativo digital oscilou entre US$ 58.300 e US$ 64.400 na última semana. A principal pressão de venda vem dos próprios investidores de longo prazo, que compraram perto do topo histórico e agora estão realizando prejuízos que chegaram a US$ 280 milhões por dia.
Especialistas apontam que essa realização de perdas representa 43% do valor total realizado na rede. Para a Glassnode, esse comportamento indica uma capitulação típica de final de mercado de baixa, um processo necessário para a consolidação de um fundo estável para o preço do Bitcoin.
O cenário institucional mostra que os ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas líquidas de US$ 84,86 milhões em 8 de julho, enquanto os fundos de Ethereum captaram US$ 70,48 milhões. No mercado de derivativos, por outro lado, as opções operam com otimismo moderado, com investidores montando posições compradas de forma cautelosa.
Fatores globais que pressionam o preço do Bitcoin
A recuperação ensaiada nos últimos dias perdeu força devido ao colapso do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Com ataques no Estreito de Ormuz e respostas militares americanas, o petróleo disparou e os ativos de risco globais, incluindo os mercados de ações e de criptoativos, recuaram de forma geral.
No cenário macroeconômico, a criação de vagas de emprego nos EUA veio abaixo do esperado, mas a inflação ainda preocupa o mercado antes da divulgação do novo índice de preços. Além disso, as reservas estratégicas de petróleo americanas atingiram o menor nível desde 1983 e grandes fundos privados limitaram saques.
Tecnicamente, a região dos US$ 60.000 atua como o principal suporte para o preço do Bitcoin no curto prazo. Analistas concluem que, para uma reversão de tendência definitiva, é preciso haver a estabilização contínua dos fluxos dos ETFs e a recuperação da média real de mercado, hoje fixada em US$ 76.600.



