O delírio dos Fake World Assets e a febre de gacha que parou o ecossistema do Ethereum

O delírio dos Fake World Assets e a febre de gacha que parou o ecossistema do Ethereum

O mercado de criptomoedas tem uma nova obsessão: os Fake World Assets (FWAs). Essa tendência transforma coleções de tokens não fungíveis (NFTs) em uma loteria registrada na blockchain, popularmente conhecida como gacha.

Em apenas quatro dias após o lançamento, o protocolo consumiu tanto gás na rede Ethereum que se tornou o maior pagador de taxas do sistema em um período de 24 horas. No pico registrado em 25 de julho, o projeto gerou cerca de US$ 1,53 milhão em taxas diárias.

Esse volume momentâneo fez com que os Fake World Assets superassem gigantes como Tether e Circle no consumo de espaço de blocos do Ethereum. A criadora do projeto, TokenWorks, declarou na ocasião que a iniciativa seria a próxima grande novidade do setor.

Os números mantiveram uma trajetória crescente após o lançamento. O Valor Total Bloqueado (TVL) ultrapassou a marca de US$ 6,15 milhões no final de julho, enquanto o volume de negociação alcançou 10.000 ETH em mais de 100.000 compras registradas.

Como funcionam os Fake World Assets na prática?

Diferente da tokenização de ativos do mundo real, os Fake World Assets usam uma mecânica focada apenas em NFTs. Os usuários pagam para girar uma máquina virtual e recebem um ativo digital aleatório com suporte em Ether, incluindo peças de coleções famosas como CryptoPunks e Azuki.

O sistema divide os participantes em dois grupos. Os detentores de NFTs atuam como provedores de liquidez e depositam ativos para ganhar uma fatia das taxas. Os jogadores pagam pela chance de tirar um prêmio valioso, decidindo depois se guardam a arte ou resgatam o valor em criptomoeda.

Apesar do sucesso inicial, o modelo enfrenta ceticismo. Simon Dedic, fundador da Moonrock Capital, aponta que o movimento atual é impulsionado por incentivos temporários de tokens. “A coisa toda é puramente voltada para os degens de criptomoedas, para que possam apostar e especular”, afirma Dedic.

Especialistas em finanças comportamentais comparam a dinâmica dos Fake World Assets a leilões de depósitos abandonados, onde a esperança de encontrar itens de alto valor atrai participantes. O verdadeiro teste para o protocolo será manter os usuários ativos quando os incentivos iniciais chegarem ao fim.