
Um pesquisador da Ethereum recomendou quatro medidas para proteger criptomoedas diante de um possível avanço da inteligência artificial sobre a segurança das carteiras. A principal delas é transferir os fundos para endereços que nunca tenham enviado uma transação.
Segundo Justin Drake, a mudança não exige novos softwares ou carteiras. A preocupação, porém, é que uma quebra de segurança poderia ocorrer em questão de meses no pior cenário.
Ao mesmo tempo, Drake alertou que uma migração apressada poderia causar mais problemas do que benefícios. A orientação é preventiva, e não uma indicação de retirada imediata dos ativos.
Como proteger criptomoedas segundo Drake
O primeiro passo é deslocar a maior parte dos fundos para um endereço que nunca tenha sido usado. Nesse caso, a chave pública ainda não foi exposta em uma transação, mantendo a chave correspondente protegida da mesma forma que o endereço original antes do primeiro gasto.
A segunda recomendação é trocar de endereço depois de cada movimentação. Quando os fundos saem de um endereço, o restante pode ser enviado para um endereço novo. Drake destacou que isso pode ser feito usando a mesma seed phrase, a sequência de palavras usada para recuperar uma carteira.
O terceiro ponto é não agir por pânico. A recomendação de Drake é simples e preventiva, e ele não considera a situação uma emergência que justifique uma migração imediata de grandes volumes.
“Don’t rush. While I believe there is cause for action a rushed migration would do more harm than good”, afirmou o pesquisador.
A quarta medida é entender o nível de exposição de cada carteira. Segundo Drake, carteiras com menos de 50 Bitcoin têm uma proteção parcial, considerando cerca de 20 mil endereços antigos expostos que armazenam 50 BTC cada.
Por que um novo endereço ajuda a proteger criptomoedas
Cada carteira possui uma chave privada, que autoriza transações, e uma chave pública correspondente. Em um endereço nunca utilizado, o que aparece é apenas uma versão embaralhada dessa chave pública, conhecida como hash.
A chave pública completa passa a ficar visível na blockchain no momento em que ocorre o primeiro gasto. A preocupação de Drake é que avanços em inteligência artificial possam ajudar atacantes a percorrer o caminho inverso e tentar obter a chave privada a partir da informação exposta.
Ele citou o lançamento, pela OpenAI, de 722 artigos matemáticos escritos com auxílio de IA. O material mencionado, porém, não apresenta resultados mostrando que a criptografia usada em Bitcoin ou Ethereum tenha sido quebrada.
Mesmo assim, cerca de 6,04 milhões de BTC já estão vinculados a chaves públicas visíveis, segundo dados da Glassnode citados na referência.
Drake também apontou Binance, Robinhood, Bitfinex e Tether como empresas que poderiam reforçar a proteção de suas carteiras de reservas mantidas offline. Para o pesquisador, o Ethereum também precisa acelerar a migração para mecanismos de segurança baseados em hashes com SHA ou BLAKE.









