O barril de petróleo Brent registrou sua maior queda semanal em meses, recuando cerca de 9% e quebrando a barreira dos US$ 80. Enquanto isso, o preço do Bitcoin oscilou apenas 1%, contrariando a tese de muitos investidores que defendem uma ligação direta entre os dois ativos.
A desvalorização da commodity foi impulsionada pelo acordo entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz. Apesar das expectativas de que o recuo do petróleo abriria espaço para uma forte recuperação das criptomoedas, os dados históricos mostram um cenário diferente.
Uma análise de cinco anos revela que a correlação entre o ativo digital e o petróleo bruto é de apenas 0,036. Como a escala vai de -1 a +1, esse número próximo de zero comprova que não existe uma associação confiável entre os mercados; mesmo em períodos de alta volatilidade no setor energético, o indicador permaneceu neutro.
Estrutura do mercado cripto: quem controla a liquidez, a custódia e o fluxo de capital
O que realmente dita o preço do Bitcoin se não é o petróleo?
A dinâmica atual do preço do Bitcoin responde diretamente à política monetária norte-americana. O novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, manteve os juros em 17 de junho, mas metade dos diretores já sinaliza um aumento nas taxas para 2026; esse movimento impacta o ecossistema cripto muito mais rápido do que as oscilações das commodities.
Pelo lado dos fundamentos, os investidores de longo prazo — que guardam moedas por mais de 155 dias, continuaram acumulando ao longo de junho. Além disso, o hash rate (poder computacional da rede) segue em alta, demonstrando a forte convicção dos mineradores mesmo diante de margens pressionadas pela cotação do óleo bruto.
No curto prazo, a pressão sobre o mercado vem dos derivativos; desde 11 de junho, as posições em aberto saltaram de US$ 21,83 bilhões para US$ 23,45 bilhões, acompanhadas por uma taxa de financiamento (funding rate) que ficou negativa em -0,002%.
Esse indicador negativo mostra que os negociadores estão apostando na baixa. Contudo, esse acúmulo de contratos vendidos abre espaço para um possível “short squeeze“, um movimento técnico onde o preço do Bitcoin sobe rapidamente devido à liquidação forçada dessas posições pessimistas.
Atualmente, o preço do Bitcoin se estabilizou na faixa dos US$ 64.200, distante de seu recorde histórico de US$ 126.200 visto em outubro. O rumo do mercado dependerá do comportamento dos derivativos e da postura do Fed, e não das oscilações do barril de Brent.
Mercado em Alta? 3 Altcoins para acompanhar de perto esta semana


