A Meta anunciou em abril uma mudança importante na sua estrutura de repasses: a gigante de tecnologia começou a testar o envio de saldos para criadores de conteúdo usando a moeda digital USDC na Colômbia e nas Filipinas. A iniciativa projeta expandir os pagamentos com stablecoins para mais de 160 países até o final do ano.
Para uma empresa que movimenta cerca de US$ 3 bilhões anuais em pagamentos para criadores, trocar o sistema bancário tradicional pela tecnologia blockchain é um marco histórico. No entanto, receber o saldo em dólar digital é apenas metade do caminho para quem vive nesses mercados.
A transferência em si é quase instantânea e tem taxas irrelevantes através de redes como Solana e Polygon. O problema real surge logo após o recebimento, quando o usuário precisa converter os ativos digitais na moeda local para pagar suas contas do dia a dia.
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O futuro dos pagamentos com stablecoins e a barreira do dinheiro real
Os criadores precisam conectar carteiras externas, passar por verificações de segurança em corretoras e arcar com taxas de saque. Toda essa complexidade logística fica sob responsabilidade de quem produziu o conteúdo, e não da plataforma Meta.
Enquanto a dona do Instagram foca na velocidade do envio, as redes de cartões como Visa e Mastercard seguem uma estratégia oposta: elas tentam embutir as stablecoins diretamente na infraestrutura atual, convertendo o saldo de forma invisível para o usuário final no momento da compra.
O mercado global de pagamentos com stablecoins movimentou US$ 33 trilhões em 2025, um salto de 72% em relação ao ano anterior. Esse avanço sinaliza que a infraestrutura veio para ficar, mas o sucesso prático depende de tornar a tecnologia blockchain totalmente imperceptível no cotidiano.
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