O Bitcoin registrou na última quarta-feira (31) sua maior atividade na rede desde dezembro de 2024, impulsionado não por nova demanda, mas por questões de segurança. O salto de 645 mil para quase 1 milhão de endereços ativos ocorreu como resposta imediata a uma falha na carteira Coldcard.
Uma vulnerabilidade no gerador de números aleatórios dessa carteira Coldcard permitiu que invasores drenassem fundos de milhares de usuários de forma sequencial. Dados on-chain apontam que três ondas confirmadas de ataques desviaram 1.367 BTC, quantia avaliada em US$ 88,6 milhões, afetando diretamente 4.585 endereços.
A análise técnica da plataforma Glassnode mostra que a urgência partiu, na maioria, do varejo. As transferências abaixo de 1 BTC totalizaram 39.600 moedas em um único dia. Um volume diário parecido nessa faixa de investidores só foi registrado em novembro de 2022, após a falência da corretora FTX.
O impacto da falha na carteira Coldcard na rede Bitcoin
Julio Moreno, chefe de pesquisa da CryptoQuant, destacou que o aumento de atividade foi impulsionado quase inteiramente pelos endereços de envio. “Os pequenos investidores de Bitcoin não moviam essa quantidade de BTC em um dia desde o colapso da FTX… Gosto de ver que as pessoas parecem estar agindo”, afirmou Moreno na rede social X.
Apesar da quantidade expressiva de investidores sacando recursos da carteira Coldcard, o total de transações na rede não atingiu níveis recordes, registrando 761.796 transferências. Isso demonstra que os usuários realizaram, em sua maioria, transações únicas apenas para esvaziar os dispositivos comprometidos com rapidez.
O cenário atual mostra uma inversão de fluxo de ativos em relação a 2022. Naquela época, os usuários retiravam suas criptomoedas das corretoras para dispositivos físicos buscando proteção. Agora, a vulnerabilidade forçou a retirada de ativos do armazenamento a frio, reacendendo debates regulatórios e técnicos sobre as ferramentas de autocustódia.
O preço do ativo demonstrou estabilidade ao longo do processo, mantendo-se próximo aos US$ 60.000, com leve alta de 1,24% nas últimas 24 horas. O próximo indicador real do mercado está nos livros de ofertas das corretoras: se as moedas transferidas não forem vendidas, o episódio se consolida estritamente como um evento de segurança, sem gerar pressão vendedora.





