O EWZ, maior ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, ganhou uma versão tokenizada na blockchain Solana. Emitido pela Backpack Securities em parceria com a Sunrise, o ativo permite obter exposição a uma cesta de empresas brasileiras dentro do ecossistema cripto.

A representação digital pode ser convertida na proporção de 1 para 1 por uma cota do iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), fundo tradicional da BlackRock negociado na NYSE Arca. Na blockchain, o token também pode ser transferido e negociado 24 horas por dia.

A carteira do ETF reúne empresas como Vale, Itaú, Petrobras, Bradesco, B3 e Nubank. Com a iniciativa, essa exposição ao mercado brasileiro passa a integrar aplicações financeiras construídas sobre a Solana.

O EWZ tokenizado não é emitido pela BlackRock. Embora o fundo original seja administrado pela BlackRock Fund Advisors, a emissão da representação digital é responsabilidade da Backpack Securities.

Como funciona o EWZ tokenizado na Solana

Segundo a Backpack, o processo de conversão funciona nos dois sentidos. Uma cota tradicional do EWZ mantida por meio da infraestrutura da empresa pode ser transformada no token e transferida para a Solana. No caminho inverso, o ativo digital pode ser depositado novamente na Backpack Exchange para conversão na representação do título tradicional mantido pela Backpack Securities.

A empresa compara o mecanismo às operações de depósito e saque de stablecoins. A diferença é que, nesse caso, o token representa uma cota de ETF, em vez de corresponder a dólares mantidos em reserva.

Na Solana, o ativo pode circular por carteiras como Phantom e Solflare, agregadores como Jupiter e plataformas como Raydium e Kamino, além da própria Backpack. Isso abre a possibilidade de integrar a exposição ao ETF a aplicações de finanças descentralizadas (DeFi), embora a liquidez e as condições de negociação dependam de cada plataforma.

O funcionamento contínuo na blockchain não significa, porém, que todas as operações ligadas ao mercado tradicional estejam disponíveis a qualquer momento. A criação e o resgate das representações digitais ainda dependem da infraestrutura do emissor.

ETF brasileiro movimenta US$ 10,2 bilhões

Criado em 2000, o EWZ acompanha o MSCI Brazil 25/50 Index, composto por ações brasileiras de grande e média capitalização. Segundo dados da iShares referentes a 5 de outubro, o fundo administrava cerca de US$ 10,2 bilhões em patrimônio líquido.

O ETF também acumulava alta de 35,81% em 2026 até 5 de outubro. Na terça-feira, dia 6, seu valor patrimonial por cota chegou a US$ 42,89, o maior nível em 52 semanas.

A carteira tem exposição significativa aos setores financeiro, de energia e de matérias-primas. Em 5 de outubro, o setor financeiro representava 37,37% dos ativos, seguido por energia, com 16,47%, e materiais, com 11,55%, conforme dados da BlackRock.

A chegada do EWZ amplia a presença de ativos financeiros tradicionais na Solana e permite levar uma cesta de ações brasileiras para aplicações onchain.

A iniciativa combina a exposição a empresas listadas em bolsa com a possibilidade de transferência contínua na blockchain, sem eliminar a dependência da estrutura responsável pela emissão e conversão do ativo.

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Luíza Nunes
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