
A indústria de segurança de criptomoedas vive um momento delicado em 2026. Após a Keystone confirmar, no dia 24 de outubro, que sofreu um vazamento de dados em seu site devido a uma invasão ocorrida em 20 de outubro, seis grandes empresas do setor de carteiras de hardware já foram alvo de ataques recentes.
A sequência de incidentes gera apreensão entre investidores que buscam proteção para seus ativos digitais.
Embora as chaves privadas dos usuários da Keystone continuem protegidas, as informações de compra e os dados de entrega de milhares de clientes ficaram expostos. Esse tipo de vazamento abre margem para que grupos de cibercriminosos executem estratégias avançadas de engenharia social e ataques direcionados contra os proprietários das carteiras.
O cenário de vulnerabilidade afetou diversas marcas de peso do mercado. Roubos de bancos de dados nas fabricantes Trezor e BitBox expuseram usuários a tentativas de golpe. No entanto, o caso financeiro mais grave envolveu a Coldcard, em julho, quando invasores reconstruíram chaves de acesso e retiraram cerca de 116 milhões de dólares em bitcoin.
A fragilidade das carteiras de hardware também atingiu a cadeia física de suprimentos. Em 10 de outubro, a Ledger confirmou a presença de componentes maliciosos inseridos por terceiros em dispositivos vendidos por revendedores não autorizados. Esse microchip adulterado gravava a frase de recuperação do usuário no exato momento em que o aparelho era ligado pela primeira vez.
Por que os ataques contra carteiras de hardware aumentaram em 2026?
Especialistas em cibersegurança apontam que a concentração atípica de falhas entre agosto e outubro decorre de três fatores principais. O primeiro é a vulnerabilidade nas redes de distribuição durante o terceiro trimestre, período em que o reabastecimento de estoque facilita a inserção de implantes físicos nos aparelhos por revendedores intermediários.
O segundo fator é a dependência de prestadores de serviços de marketing e entrega no ambiente Web2. Um exemplo disso foi a invasão na plataforma Brevo, que acabou impactando indiretamente clientes da Trezor e da BitBox.
Por fim, a repercussão do incidente com a Coldcard motivou pesquisadores a intensificarem auditorias em todo o setor, revelando novos problemas de forma sequencial.
Para se proteger em meio a essa crise de confiança nas cold wallets, especialistas recomendam adquirir dispositivos apenas nos canais oficiais das marcas, redefinir equipamentos suspeitos, utilizar senhas adicionais (passphrases) e optar por endereços de entrega anonimizados.
Como destacou Changpeng Zhao (CZ), a regra principal do mercado continua sendo “manter seus ativos seguros”.








