Tanto a comunidade de criptomoedas quanto os investidores acompanham de perto os passos finais de uma das maiores estratégias de tesouraria do setor. A BitMine está prestes a encerrar sua massiva campanha de acúmulo de Ethereum, após atingir quase a totalidade da meta estabelecida de deter 5% de todo o suprimento em circulação da moeda.

O programa, iniciado em 30 de junho de 2025, durou cerca de quinze meses de compras semanais ininterruptas. No início de setembro, a companhia contava com 5,93 milhões de tokens. Até o dia 18 de outubro, esse total alcançou 6.041.481 ETH, representando aproximadamente 4,9% dos 122,1 milhões de ETH adotados como métrica pela empresa.

Mesmo com a desaceleração recente nas compras — registrando apenas 12.535 ETH adquiridos na última semana divulgada, a BitMine confirma que nunca falhou em realizar compras semanais desde o lançamento de seu plano. A meta exata de parada é de 6,105 milhões de tokens, o que deixa uma diferença de apenas 63,5 mil ETH para atingir o limite estipulado.

Durante o evento TOKEN2049, o executivo Tom Lee esclareceu que a margem de 5% funciona como um teto rígido e revelou que o próprio Vitalik Buterin o incentivou a não ultrapassar essa proporção. Ao preço de referência de US$ 2.365 relatado em comunicado no dia 19 de outubro, as reservas da empresa em ETH somavam cerca de US$ 14,3 bilhões. Somados o caixa, ações, investimentos diversos e bitcoins, o patrimônio total da firma foi avaliado em US$ 15,1 bilhões.

Impacto no mercado e a transição do acúmulo de Ethereum para o staking

A saída da BitMine como compradora recorrente marca uma alteração no ecossistema. A demanda semanal que injetou bilhões de dólares no ativo ao longo de mais de um ano deixará de existir diretamente no mercado spot.

No entanto, o fim dessas aquisições não indica necessariamente queda no valor, visto que fundos negociados em bolsa (ETFs), empresas e investidores individuais seguem absorvendo o suprimento disponível.

Agora, a empresa foca totalmente na rentabilidade de sua tesouraria. A BitMine já alocou 5.067.309 de seus tokens em staking — o equivalente a 84% de toda a sua reserva de ETH. O objetivo principal deixa de ser a compra acelerada e passa a ser a geração de renda passiva com os ativos que já possui em carteira.

Com base nos rendimentos recentes observados na rede, a projeção de receita anualizada com staking é de aproximadamente US$ 309 milhões. Caso a totalidade de seu saldo em ETH seja alocada em staking por meio de parcerias e da infraestrutura própria da empresa, chamada MAVAN, o faturamento estimado pode chegar a US$ 369 milhões por ano, embora os retornos do protocolo possam variar.

Essa transição já se desenhava quando a empresa atingiu a marca de 4,8% da oferta global do ativo, momento em que começou a fortalecer sua atuação em infraestrutura de validação. A BitMine não pretende vender sua posição em Ethereum, mas encerra a fase de acumulação para operar como um grande validador da rede.

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Luíza Nunes
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