A recente declaração de Bitcoin feita por Manuel Adorni, chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei, está sob forte questionamento por especialistas do setor. O funcionário público retificou seus documentos financeiros para incluir lucros com criptoativos, mas os dados da blockchain apontam inconsistências.
Adorni reportou um ganho de aproximadamente 300 mil dólares a partir de um investimento inicial de 200 mil dólares, realizado em conjunto com sua esposa entre os anos de 2013 e 2018. No entanto, análises de uma de suas carteiras digitais revelaram lucros de apenas 60 mil dólares em transações feitas em 2017 e 2018.
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Divergências na declaração de Bitcoin ampliam escrutínio
A atualização patrimonial pra inclusão de declaração de Bitcoin ocorreu entre os dias 10 e 11 de junho. O momento é delicado, pois o porta-voz já é alvo de um inquérito por suposto enriquecimento ilícito, liderado pelo promotor Gerardo Pollicita e pelo juiz Ariel Lijo.
Veteranos do mercado de criptomoedas na Argentina apontam outro obstáculo prático: a escassez de liquidez na época. Adquirir o equivalente a 200 mil dólares em BTC entre 2013 e 2014 exigiria uma infraestrutura de balcão (OTC) que praticamente inexistia no país no período citado.
Além das contradições sobre a declaração de Bitcoin, Adorni mencionou no passado que seu ponto de entrada no mercado cripto teria ocorrido por volta de 2014 ou 2015, divergindo do ano de 2013 informado no documento atual. A investigação conduzida pelas autoridades locais avalia a evolução patrimonial do chefe de gabinete de forma ampla.
Esta não é a primeira polêmica envolvendo a gestão de Milei e o ecossistema cripto, visto que o caso da memecoin $LIBRA também segue sob investigação oficial. Especialistas apontam que a diferença expressiva nos valores auditados indica que Adorni possui outras carteiras não identificadas ou que inflou os números reportados.


