O Banco Central do Brasil (BC) acaba de dar um passo importante para restringir o uso de ativos digitais no sistema financeiro tradicional. Através da Resolução nº 561, a autoridade monetária proibiu oficialmente o uso de pagamentos cripto dentro do framework de eFX.
A nova medida altera as regras para transferências internacionais, exigindo que esses pagamentos sejam processados exclusivamente por transações de câmbio tradicionais ou via contas em reais monitoradas. Com isso, as criptomoedas e stablecoins perdem espaço nos canais oficiais de remessa do país.
É importante destacar que a decisão não representa um banimento total das criptos no território nacional. O foco do BC é garantir que as transferências internacionais permaneçam dentro dos canais de câmbio monitorados, aumentando o controle sobre o fluxo de capital que entra e sai do Brasil.
O cerco regulatório e o impacto nas stablecoins
Essa movimentação do Banco Central acontece em um momento de explosão no uso de ativos digitais por aqui. Segundo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, cerca de 90% do fluxo de criptoativos no Brasil está atrelado às stablecoins, moedas pareadas ao dólar.
O endurecimento das regras reflete o esforço da instituição para trazer o setor para debaixo do guarda-chuva regulatório. Em novembro de 2025, o BC já havia determinado que corretoras e custodiantes de ativos virtuais precisam de autorização para operar, seguindo padrões rigorosos de governança e cibersegurança, e que começa a valer a partir de 04 de Maio.
Além dessa restrição, o cenário para o mercado cripto brasileiro tem enfrentado outras pressões. Recentemente, o Ministério da Fazenda pausou consultas sobre tributação, enquanto plataformas de apostas e mercados de previsão, como Polymarket e Kalshi, foram bloqueadas por preocupações com a integridade do mercado.
Mesmo com as novas barreiras do Banco Central, o Brasil segue como o gigante das criptomoedas na América Latina. O país saltou da 10ª para a 5ª posição no ranking global de adoção de cripto em 2025, mostrando que o interesse do brasileiro pelos ativos digitais continua em alta, apesar das rédeas curtas do regulador.





