Pesquisa aponta: Mercado de criptomoedas no Brasil já é o 5º maior do mundo em investidores individuais

Pesquisa aponta: Mercado de criptomoedas no Brasil já é o 5º maior do mundo em investidores individuais

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por Redação

O mercado de criptomoedas no Brasil acaba de ganhar um novo status: o país encerrou o primeiro trimestre de 2026 como o quinto maior mercado global de criptomoedas no varejo, movimentando US$ 40,4 bilhões, segundo a TRM Labs.

Logo nas primeiras leituras, o número impressiona, mas o que realmente chama atenção é o contexto: mesmo com uma leve retração de 12% em relação ao ano anterior, o Brasil subiu posições e ultrapassou nomes como Reino Unido e Turquia. Em um cenário global de cautela, isso diz mais sobre comportamento do que sobre volume.

O que sustenta o mercado de criptomoedas brasileiro em um cenário global adverso

O mercado de criptomoedas global também desacelerou — foram US$ 979 bilhões no trimestre, uma queda de 11%. É o segundo período consecutivo de retração, algo que não se via desde o inverno cripto de 2022.

A explicação não está dentro da Web3, mas fora dela: juros altos, dólar fortalecido e incertezas políticas, especialmente nos Estados Unidos, criaram um ambiente menos propenso ao risco. Até o Bitcoin sentiu, com queda de 22% no período, encerrando próximo de US$ 68 mil.

Ainda assim, o Brasil manteve sua relevância. Em um ranking dominado por gigantes como Estados Unidos, Coreia do Sul, Rússia e Índia, a presença brasileira revela um apetite sofisticado — menos impulsivo, mais adaptável.

Como o Brasil e a América Latina mantém relevância

Curiosamente, os mercados mais maduros foram os que mais recuaram: Coreia do Sul (-28%), Alemanha (-25%) e Reino Unido (-17%) lideraram as quedas. Já economias emergentes, como Índia e América Latina, mostraram maior estabilidade.

Aqui, o uso do mercado de criptomoedas ganha outra camada de significado. Em muitos desses países, cripto não é apenas investimento, é alternativa. Funciona como proteção cambial, acesso indireto ao dólar e até ferramenta de sobrevivência financeira.

É um uso menos glamouroso, mas profundamente estratégico.

Stablecoins e o novo código do dinheiro global

Enquanto isso, um movimento silencioso ganha força: o avanço das stablecoins. Na Venezuela, por exemplo, elas dominam o mercado — especialmente o USDT, amplamente usado em negociações diretas entre pessoas.

Na Europa, versões atreladas ao euro cresceram 12 vezes em pouco mais de um ano, impulsionadas por clareza regulatória. É um sinal de que o futuro das criptomoedas pode ser menos volátil, e mais integrado ao sistema financeiro tradicional.

No Brasil, o posicionamento no ranking sugere um público cada vez mais atento, informado e, sobretudo, curioso.

E talvez seja exatamente essa curiosidade — estratégica, quase intuitiva, que esteja colocando o país no radar global da nova economia digital.