O banco de investimentos JPMorgan alertou que a recente política de venda de Bitcoin adotada pela empresa Strategy introduziu um risco desnecessário de “via dupla” no mercado de criptomoedas. A instituição financeira destacou que a medida gera incerteza e volatilidade para os investidores.
A Strategy formalizou nesta semana uma estratégia que permite a venda de Bitcoin de forma seletiva para financiar o pagamento de dividendos de ações preferenciais. Atualmente, a companhia possui uma reserva de US$ 2,55 bilhões em caixa, o suficiente para cobrir cerca de 17 meses de obrigações.
Impacto da venda de Bitcoin no fluxo de liquidez do mercado
No entanto, os analistas do JPMorgan, liderados por Nikolaos Panigirtzoglou, avaliam que seria necessária uma cobertura maior, de 24 a 36 meses. Para o banco, a empresa deveria emitir ações ordinárias para inflar suas reservas de dólares, reduzindo as chances de precisar liquidar seus ativos digitais.
Como uma das maiores detentoras institucionais da criptomoeda, a Strategy possui 847.363 BTC em seu balanço, o que equivale a cerca de 4% do suprimento total em circulação. Por conta disso, qualquer movimentação de despejo do ativo, mesmo que pontual, afeta diretamente o sentimento dos investidores.
O relatório do JPMorgan aponta que o mercado já sentiu o peso dessa postura: entre o final de maio e o início de junho, o preço do ativo sofreu pressão após a divulgação de que a Strategy realizou a venda de bitcoin (especificamente 32 BTC) para pagar dividendos, somando-se às pressões macroeconômicas dos juros nos EUA.
O cenário é agravado pela perda de fôlego dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos, que registraram saídas líquidas recordes de US$ 4 bilhões em junho. Apesar do momento de baixa, o JPMorgan indica que o segundo semestre dependerá da expansão das reservas de caixa da Strategy e de avanços na regulação do setor.
Strategy reporta perda de US$ 12,5 bilhões após novas regras de fair value do Bitcoin




