A rede Ethereum deu mais um passo na ampliação da capacidade da rede. A atualização Glamsterdam entrou em operação na rede de testes Sepolia em 6 de outubro e, cerca de 11 horas depois, o limite de gas dos blocos já havia alcançado a meta de 200 milhões.

O número representa mais de três vezes o limite atual de 60 milhões de gas da mainnet. Ainda assim, isso não significa que a Ethereum passará imediatamente a processar blocos desse tamanho na rede principal.

A Glamsterdam foi desenhada para tornar blocos maiores mais seguros de produzir e validar. Depois da atualização, caberá aos validadores decidir se o limite de gas será elevado.

O teste na Sepolia terminou a transição sem problemas críticos e serve como uma das etapas antes de uma possível chegada da atualização à mainnet.

O que muda na Ethereum com a Glamsterdam

A Glamsterdam reúne 18 propostas de melhoria, conhecidas como EIPs, mas três delas concentram boa parte das mudanças necessárias para ampliar a capacidade da Ethereum.

A primeira é a separação entre proponente e construtor de blocos, conhecida como ePBS. Hoje, blocos são geralmente montados por construtores especializados e enviados aos validadores por intermediários chamados relays.

Com o EIP-7732, o proponente passa a assumir um compromisso com a oferta assinada por um construtor, que revela o bloco completo posteriormente. Na prática, isso dá mais tempo aos validadores para verificar as transações.

O intervalo disponível para essa verificação deixa de ficar concentrado em uma janela de aproximadamente quatro segundos. Pela proposta, a maioria dos validadores terá cerca de nove segundos para concluir essa etapa.

Outra mudança importante são as block-level access lists, ou BALs. Elas funcionam como um mapa dos dados que cada bloco deverá acessar e dos valores que serão produzidos ao final da execução.

Hoje, os clientes da Ethereum processam principalmente as transações em sequência porque não sabem antecipadamente quais partes do estado da rede serão utilizadas. Com as BALs, os clientes podem buscar dados antes e executar etapas de validação em paralelo.

A atualização também aumenta o tamanho máximo dos contratos inteligentes, de 24 KiB para 64 KiB. A mudança reduz uma limitação que, até agora, obrigava aplicações maiores a dividir seu código.

Ao mesmo tempo, a Glamsterdam muda os custos relacionados à criação de novo estado na rede. Pelo EIP-8037, criar um novo slot de armazenamento passará de 20.000 para 97.920 gas. Já uma transferência simples de ETH para uma conta existente continuará custando 21.000 gas.

Ethereum chega a 200 milhões de gas na Sepolia

O primeiro bloco da Sepolia após a Glamsterdam ainda começou com o limite de 60 milhões de gas, igual ao nível atual da mainnet.

A partir daí, o limite subiu gradualmente até atingir 200 milhões cerca de 11 horas depois. Como cada proponente pode alterar o limite em aproximadamente 0,1% por bloco, o processo poderia ter levado cerca de quatro horas caso todos os validadores tivessem aumentado o limite a cada oportunidade.

A transição, porém, foi mais lenta. Parte disso pode estar relacionada ao fato de que os clientes de consenso Prysm e Teku mantiveram seus validadores em 60 milhões de gas depois do fork, a menos que houvesse adesão explícita ao novo limite.

Os primeiros números divulgados por Toni Wahrstätter, pesquisador da Ethereum Foundation, também apontam ganhos de desempenho. Em um dos exemplos, um bloco de 40 milhões de gas que levava cerca de 115 milissegundos para ser executado no Geth passou a levar aproximadamente 30 milissegundos.

Os dados ainda são preliminares, baseados em menos de um dia de observações e em um nó por cliente, mas indicam que as mudanças podem ajudar a rede a lidar com blocos maiores.

O próximo teste previsto é na rede Hoodi, com 27 de outubro sendo considerado como uma possível data de ativação, embora ainda não esteja definido. A expectativa atual é que a Glamsterdam chegue à mainnet em algum momento do quarto trimestre de 2026.

O cronograma, no entanto, ainda pode mudar. A atualização havia sido planejada inicialmente para o primeiro semestre de 2026, enquanto a própria ativação na Sepolia saiu de 3 de agosto para 6 de outubro.

Também há impactos práticos para ferramentas do ecossistema. Carteiras, indexadores e estimadores de gas que trabalham assumindo um limite máximo fixo precisarão ser atualizados para acompanhar as novas condições da rede.

Para os usuários, outra consequência será mais específica: atividades que criam grandes quantidades de novas contas ou armazenamento, como airdrops, mints e criação de novas carteiras, ficarão mais caras. Transferências comuns de ETH, por outro lado, não terão esse aumento.

A principal mudança da Glamsterdam está justamente na capacidade que ela pretende abrir para a Ethereum. Um limite de gas muito maior cria espaço para mais transações e aplicações na camada principal, desde projetos financeiros até novos experimentos que hoje podem enfrentar restrições de capacidade.

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Luíza Nunes
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Luíza Nunes