O ecossistema Ethereum está prestes a passar por sua maior transformação técnica desde o histórico The Merge, trazendo mudanças estruturais com o upgrade Glamsterdam. Prevista para o segundo semestre de 2026, a atualização foca em tornar as transações da rede principal significativamente mais rápidas e baratas.
A primeira grande mudança do Glamsterdam ataca diretamente a forma como as transações são ordenadas dentro de cada bloco. Hoje, um pequeno grupo de empresas especializadas decide a ordem das transações que entram na rede através de intermediários, o que abre espaço para manipulações que geram custos extras aos usuários comuns.
Para combater esse monopólio, o Glamsterdam implementa a proposta de Separação Propositor-Construtor Consolidada, ou ePBS (EIP-7732). Com essa nova regra, quem valida o bloco não consegue ver nem reordenar seu conteúdo até que ele seja definitivo, eliminando intermediários e o risco de manipulação.
Além disso, a atualização introduz o processamento paralelo através das Listas de Acesso no Nível do Bloco (EIP-7928). A rede passará a identificar transações independentes para processá-las simultaneamente, criando novas “faixas de tráfego” para aumentar a capacidade do ecossistema sem inflar as taxas de gás.
Como as mudanças do Glamsterdam afetam as finanças descentralizadas (DeFi)
No mercado de finanças descentralizadas, as novidades miram o combate ao MEV (Valor Máximo Extraível), uma espécie de taxa invisível que encarece as operações dos usuários nas exchanges descentralizadas. Holly Atkinson, diretora de produto e tecnologia da 1inch, afirma que as mudanças reorganizam o fluxo para que a rede principal cresça sem que as taxas fiquem proibitivas.
De acordo com Atkinson, a maior parte dos validadores hoje terceiriza a criação de blocos para construtores externos por meio de ferramentas fechadas que tiram proveito das ordens pendentes. Ela destaca que o Glamsterdam devolve esse controle para o protocolo que de fato custodia os tokens, reduzindo a dependência de intermediários centralizados.
Essa guinada tecnológica surge como resposta direta a um ano de forte pressão sobre a Fundação Ethereum. Críticos de destaque, como o pesquisador Dankrad Feist e a jornalista Laura Shin, vinham apontando que o foco excessivo em soluções de segunda camada (Layer-2) prejudicava a atratividade do Ether como investimento e estagnava a camada principal.
Essa insatisfação provocou uma reestruturação na Fundação, além de questionamentos do próprio cofundador Vitalik Buterin sobre o modelo atual das redes de segunda camada.
Enquanto o desenvolvimento técnico avança, o mercado busca recuperação: o ETH operava cotado a US$ 1.915 nesta quarta-feira, registrando queda de 40% em relação ao ano anterior e ainda distante do recorde de quase US$ 5.000 atingido em agosto de 2025.





