A mudança de foco dos mineradores de Bitcoin para a Inteligência Artificial (IA) e computação de alto desempenho (HPC) está se mostrando uma decisão altamente rentável. Essa transição ganha força enquanto o mercado de criptomoedas enfrenta um momento de retração, com o principal ativo digital registrando uma queda de 45% nos últimos oito meses.
O impacto direto dessa desvalorização atinge em cheio a rentabilidade das operações. O “hashprice“, métrica que calcula a receita diária esperada por unidade de poder de computação, despencou de US$ 63 por petahash por segundo (PH/s) em julho do ano passado para cerca de US$ 31,80 atualmente.
Com margens reduzidas, muitos operadores estão desligando suas máquinas por falta de lucro, um processo conhecido no setor como capitulação. Como resultado direto, o poder total de processamento da rede, chamado de hashrate, caiu cerca de 21%, passando de 1,14 zettahash por segundo (ZH/s) para 900 exahash por segundo (EH/s).
Enquanto as empresas focadas exclusivamente na criptomoeda enfrentam dificuldades, aquelas que diversificaram seus serviços estão se destacando no mercado de ações. Companhias como TerraWulf, IREN e Cipher Digital viram seus papéis dobrarem de valor no último ano. Em contrapartida, a MARA Holdings, que manteve sua operação focada apenas em cripto, registrou uma queda de 40% no mesmo período.
A atração da IA pela infraestrutura dos mineradores de Bitcoin
As duas indústrias operam com bases extremamente semelhantes. Ambas precisam garantir contratos de energia barata para alimentar grandes galpões de computadores, além de exigir a manutenção de equipamentos eficientes operando quase sem interrupções. O grande ativo do negócio deixou de ser apenas a moeda em si e passou a ser o controle do acesso à infraestrutura energética.
Um relatório da CoinShares sobre o primeiro trimestre deste ano apontou que os mineradores de Bitcoin com contratos de HPC estão sendo negociados a 12,3 vezes o seu valor de mercado corporativo. Já as empresas focadas exclusivamente na mineração tradicional operam com um múltiplo bem menor, de 5,9 vezes.
A pesquisa também revelou que o setor acumulou cerca de US$ 70 bilhões em contratos de IA e HPC até o fim daquele trimestre. Recentemente, a Riot Platforms ilustrou bem esse cenário ao assinar um acordo de 20 anos com a Anthropic avaliado em US$ 9,1 bilhões, ajudando os papéis da empresa a saltarem de US$ 3 para US$ 20 nos últimos quatro anos.
Apesar da forte migração, ainda existe uma perspectiva de recuperação para as operações puramente focadas na criptomoeda. A CoinShares estima que um retorno do ativo ao patamar de US$ 126.000 poderia elevar o hashprice de volta à faixa de US$ 59 por PH/s, restaurando a atratividade e a margem de lucro da mineração tradicional.





