Acompanhar a movimentação diária dos fundos de índice negociados em bolsa nos Estados Unidos não serve como parâmetro para antecipar o próximo passo do mercado. Essa é a conclusão de uma pesquisa divulgada pela DWF Labs, que analisou o comportamento do fluxo de ETFs de Bitcoin ao longo de 694 dias de negociação desde o lançamento desses produtos, em janeiro de 2024.

Os dados mostram que os investidores costumam aplicar recursos após ciclos de valorização e resgatar o capital logo após quedas expressivas. De acordo com o estudo, os aportes ou retiradas diárias praticamente não oferecem pistas sobre a direção da criptomoeda nos cinco dias subsequentes.

Na prática, a relação entre o fluxo de ETFs de Bitcoin e a variação do ativo nos cinco dias anteriores apresentou uma correlação moderada de 0,54. No entanto, ao analisar os cinco dias seguintes, esse indicador despencou para apenas 0,03, sinalizando a ausência de uma conexão preditiva.

Durante o período analisado, o Bitcoin registrou quedas de no mínimo 15% em oito ocasiões, sendo que em sete delas os investidores retiraram recursos dos fundos. Por outro lado, todas as nove altas desse mesmo porte atraíram saldo positivo de capital.

“Os fluxos dos ETFs confirmam os movimentos; eles não os preveem”, destacou a DWF Labs no relatório publicado na quinta-feira. “As evidências apontam principalmente para investidores reagindo ao preço, e não o impulsionando.”

As maiores saídas de capital ocorreram nos recuos recentes do mercado. Entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, os saques líquidos somaram US$ 6,9 bilhões, enquanto a desvalorização ocorrida entre maio e junho resultou em retiradas de US$ 8,2 bilhões.

O impacto real do fluxo de ETFs de Bitcoin no mercado

A pesquisa aponta que não há como determinar com precisão se a pressão vendedora partiu de pessoas físicas ou de grandes instituições. “Não temos uma divisão clara sobre quem são os exatos compradores e vendedores dos ETFs”, afirmou um porta-voz da DWF Labs ao Cointelegraph.

Parte das movimentações também está atrelada a estratégias de arbitragem. Nesses casos, investidores compram cotas do fundo e vendem contratos futuros na CME para lucrar com a diferença de preço. A DWF calcula que cerca de um quinto dos aportes pode ter essa finalidade defensiva, embora os dados não confirmem se a mesma carteira opera ambas as pontas.

Em paralelo, uma análise da CoinShares publicada em junho revelou que investidores profissionais reduziram em 17% sua exposição a esses fundos no primeiro trimestre de 2026. Fundos de hedge e corretoras responderam por cerca de 96% dessa diminuição, enquanto as instituições bancárias aumentaram suas posições.

O estudo indica ainda que a frequência dos ciclos de queda desacelerou. O Bitcoin registrou cerca de três desvalorizações iguais ou superiores a 15% ao ano desde a estreia dos ETFs, frente a quatro por ano no biênio 2022–2023 e oito no ano de 2021.

Embora o ritmo das baixas tenha se tornado mais gradual, a intensidade das perdas permaneceu similar. A queda mediana registrada no período recente foi de 21,3%, comparada a 19,4% observados entre 2022 e 2023.

Segundo o porta-voz da empresa, essa mudança no perfil de negociação não deve ser atribuída exclusivamente à chegada dos fundos institucionais. Ele pontuou que a volatilidade e a quantidade de correções já apresentavam trajetória de queda antes mesmo de janeiro de 2024.

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Luíza Nunes
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