As fusões e aquisições de criptomoedas atingiram a marca histórica de US$ 9,66 bilhões em valor divulgado no primeiro semestre de 2026. No entanto, esse número esconde uma mudança no comportamento das empresas do setor.
Um levantamento da CryptoRank Research mostra que, apesar do salto financeiro de 223% em relação ao semestre anterior, a quantidade de acordos anunciados caiu. Foram apenas 87 negociações entre janeiro e junho, uma redução de 25% e o menor nível desde o início de 2025.
Essa diferença entre valor e volume tem uma explicação clara: a concentração de capital. Compradores estratégicos e com muito dinheiro em caixa, como empresas de capital aberto e corretoras licenciadas, continuaram comprando, enquanto os investidores menores recuaram.
Apenas 21 dos 87 anúncios revelaram os valores envolvidos. Desse total, os quatro maiores negócios representaram 76% de todo o montante financeiro registrado no período.
A verdade por trás das fusões e aquisições de criptomoedas
O maior destaque ficou por conta da corretora Bullish, que concordou em comprar a agente de transferências Equiniti por US$ 4,2 bilhões. Essa transação, que deve ser concluída em janeiro de 2027, representa sozinha 43% de todo o valor movimentado no semestre.
Apesar dos bilhões movimentados, o preço médio das empresas não aumentou. O valor mediano por transação permaneceu estável em US$ 100 milhões na comparação com o final de 2025, e chegou a cair 20% em relação ao início do ano passado.
O recorde atual reflete uma mudança nas regras de transparência corporativa, e não uma valorização generalizada. Como as transações estão sendo lideradas por empresas regulamentadas, elas são obrigadas por lei a relatar os termos dos acordos, algo que as empresas privadas menores costumavam manter em segredo.
Um exemplo recente da entrada de gigantes tradicionais é a Mastercard, que concluiu neste mês a compra da empresa de stablecoins BVNK por um valor que pode chegar a US$ 1,8 bilhão.
Além do perfil dos compradores, os alvos das fusões e aquisições de criptomoedas também mudaram de direção. O setor de infraestrutura assumiu a liderança de interesse, enquanto as compras de projetos focados em Finanças Descentralizadas (DeFi) caíram de 24 para apenas nove acordos.


