O recente ataque hacker à Binance trouxe volatilidade para o mercado de criptomoedas e pressionou o preço da maior moeda digital do mundo. No entanto, dados históricos mostram que o Bitcoin costuma apresentar recuperação expressiva após grandes incidentes de segurança e crises financeiras.

Um levantamento do Rand Group revelou que o Bitcoin acumulou valorizações expressivas nos 12 meses seguintes a episódios críticos. Após a invasão da Mt. Gox em novembro de 2011, o ativo registrou alta de 500% em um ano.

Movimentos semelhantes ocorreram pós-colapso da Mt. Gox em janeiro de 2015, com alta de 160%, e no fundo do inverno cripto em dezembro de 2018, com avanço de 125%.

A capacidade de reação foi ainda maior no crash da COVID-19, em março de 2020, quando o preço subiu cerca de 1.100% no período de 12 meses. Já após o colapso da FTX, em novembro de 2022, a valorização atingiu 130%.

Como o mercado reage à queda do Bitcoin em crises

O chefe de pesquisas da Anchorage, David Lawant, destacou que o mercado reage de formas diferentes dependendo do evento. Segundo ele, “roubos tendem a ser absorvidos em poucas horas, enquanto insolvências não”.

Sua análise sobre as primeiras 8,5 horas após os incidentes aponta que roubos em corretoras e explorações de protocolos têm efeito passageiro. Lawant reforça que esses episódios possuem baixo poder preditivo para a tendência de longo prazo do Bitcoin, que depende principalmente do ciclo geral do mercado.

Por outro lado, Adam Livingston, vice-presidente de investimentos da Strive, apresentou uma visão mais cautelosa sobre a recente queda do Bitcoin. Entre os dias 29 e 30 de outubro, o ativo recuou 6,9% após o pânico associado à Binance.

Considerando a volatilidade de 30 dias que estava em 1,3%, esse recuo representou um desvio-padrão de 5,3, figurando entre as quedas de dois dias mais acentuadas desde 2020. Livingston pontuou que “uma queda tão profunda vinda de um mercado tão calmo aconteceu apenas outras 5 vezes nesta década”.

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Luíza Nunes
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