O mercado de criptomoedas presencia uma ascensão da negociação de ativos RWA, ou ativos do mundo real. Plataformas como a Hyperliquid registram uma forte transição em seu volume, reduzindo a dominância histórica de moedas como bitcoin e ether.

Dados recentes mostram que os volumes de contratos perpétuos de ativos RWA em diversas exchanges saltaram de US$ 85 bilhões em janeiro para cerca de US$ 470 bilhões em junho. Atualmente, Binance, Hyperliquid e OKX concentram mais de 80% dessa categoria de mercado.

Na Hyperliquid, o protocolo HIP-3 chegou a representar quase 50% do volume da plataforma no meio do ano, um salto expressivo em relação aos 2% registrados no início de 2024. Mercados de ações da TradeXYZ, incluindo contratos que rastreiam o índice Nasdaq-100, impulsionaram esse crescimento.

Haseeb Qureshi, sócio-gerente da Dragonfly Capital, avalia que esse movimento reflete o amadurecimento do setor em direção a ações e títulos tokenizados. Para o executivo, a próxima fase da indústria exigirá infraestruturas especializadas.

O futuro dos ativos RWA exige múltiplas blockchains

Durante o Avalanche Summit em Nova York, Qureshi destacou que instituições como Goldman Sachs e BlackRock precisarão de ambientes de blockchain dedicados para garantir a conformidade operacional. Segundo ele, o setor de ativos RWA não será sustentado por uma única rede de propósito geral.

“Os ativos nativos de cripto são ótimos, mas não representam a maior parte do que importa no mundo”, afirmou Qureshi. “Provar que você pode fazer isso com ativos do mundo real exige que você mude para redes mais heterogêneas”.

O executivo rejeita a ideia de que Ethereum, Solana ou Avalanche vão monopolizar o mercado. Ele compara as blockchains a grandes centros urbanos, que desenvolvem seus próprios ecossistemas financeiros de forma descentralizada.

“As blockchains têm efeitos de rede, como as cidades, mas não são infinitamente escaláveis da forma que redes como Facebook ou Instagram podem ser”, concluiu Qureshi. A diversidade de redes descentralizadas se tornará essencial para suportar o peso da economia global tradicional.

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Luíza Nunes
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