O Bitcoin praticamente ignorou o novo dado de inflação dos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,1% em julho, após uma queda de 0,4% em junho, em linha com as projeções do mercado.
Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 3,4%, segundo dados do Bureau of Labor Statistics. O número mantém os preços bem acima da meta de 2% do Federal Reserve, apesar da desaceleração em relação ao período anterior.
O resultado também não trouxe uma surpresa relevante para os investidores. Por isso, mesmo com a leitura considerada positiva para ativos de risco, o Bitcoin teve pouca reação. No dia, o preço da criptomoeda avançou cerca de US$ 209, ou 0,33%, para aproximadamente US$ 63.750. A variação entre a máxima e a mínima do dia ficou em apenas 1,5%.
Ao mesmo tempo, o valor total do mercado de criptomoedas recuou de US$ 2,19 trilhões para US$ 2,17 trilhões, uma queda de 0,9%.
Por que o Bitcoin não reagiu à inflação dos EUA?
A lógica acompanhada pelos traders é relativamente direta. Uma inflação mais controlada pode aumentar a possibilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve. Com juros menores, ativos considerados mais arriscados, como o Bitcoin, tendem a se tornar mais atrativos.
O problema desta vez é que o mercado já esperava exatamente esse resultado.
A inflação de 3,4% não alterou de forma significativa as perspectivas para a política monetária americana. O número continua acima da meta de 2% do Fed, e o dado de julho não foi suficiente para modificar uma visão que os investidores já haviam incorporado aos preços.
Parte desse movimento também havia aparecido nos mercados de ETF à vista de Bitcoin. Na semana anterior, esses produtos registraram aproximadamente US$ 854 milhões em entradas durante cinco sessões consecutivas, na sequência da redução das apostas em novas altas de juros.
Na prática, parte da reação à inflação mais moderada já havia acontecido antes da divulgação do CPI.
O cenário técnico do Bitcoin também ajudou a limitar uma reação mais forte. A criptomoeda segue entre uma região de suporte próxima de US$ 62.000 e uma resistência em torno de US$ 67.000, permanecendo abaixo de US$ 65.000 desde a forte queda registrada no início de agosto.
Além disso, a média móvel de 50 dias está abaixo da média de 200 dias, enquanto a força da tendência continua fraca.
Outro indicador citado pelo mercado reforça essa falta de convicção. Na Myriad, plataforma de mercados de previsão operada pela Dastan, empresa controladora da Decrypt, os traders também reagiram pouco ao dado de inflação.
No momento, as apostas indicam uma probabilidade maior de o Bitcoin continuar caindo em direção a US$ 55.000 do que avançar até US$ 84.000. A plataforma também mostra apenas 17% de chance de a criptomoeda alcançar US$ 70.000 ainda neste mês.
O comportamento desta semana repete, em parte, o que aconteceu após o relatório de empregos dos Estados Unidos, divulgado anteriormente. O dado mais fraco também aumentou as expectativas por uma postura mais favorável do Fed, mas não foi suficiente para desencadear uma alta expressiva do Bitcoin.
Com isso, a nova leitura da inflação reforça um ponto importante para o mercado: um dado macroeconômico positivo, sozinho, não garante uma reação imediata nos preços quando as expectativas já estão incorporadas às cotações.





